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05/03/2014 11:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Mais Médicos: Brasil pagará quase R$ 974 milhões para renovar custeio de médicos cubanos

José Cruz/ABr

O governo federal aplicou uma injeção quase bilionária de recursos no programa Mais Médicos. Segundo o Diário Oficial da União desta quarta-feira (5), o Ministério da Saúde garante repasse de R$ 973,9 milhões à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que aloca os recursos para Cuba. O termo de ajuste foi assinado no último dia 26 entre o ministro da Saúde, Arthur Chioro, e a diretora da Opas, Carissa Etienne.

No acordo original, o Brasil destinou à Opas R$ 511 milhões para o período de agosto de 2013 a fevereiro deste ano. O dinheiro extra formalizado nesta quarta será usado para custear, a partir deste mês, a permanência dos 7,4 mil médicos cubanos, que já estão no Brasil, e para 'importar' profissionais do quarto ciclo de atuação. Mais 4 mil médicos cubanos começam a chegar ao País nesta quarta-feira.

O gasto total, de quase R$ 974 mi, envolve o pagamento de bolsa mensal aos 11,4 mil médicos, auxílio financeiro para hospedagem e alimentação, além de passagens. O recurso deverá ser utilizado de março a setembro deste ano.

Esse dinheiro a mais também inclui o aumento no repasse para os médicos cubanos. Na semana passada, o governo anunciou que seria reajustada a bolsa para eles. Atualmente, os cubanos recebem US$ 400 mensais, o equivalente a R$ 933. Com o aumento, eles receberão a partir deste mês US$ 1.125, o equivalente a R$ 2,9 mil.

O Mais Médicos conta com avaliação bastante positiva da população brasileira. De acordo com pesquisa CNT de novembro, 84,3% dos brasileiros aprovam o programa do governo federal. Por isso, segundo petistas, deve ser o principal ativo eleitoral da campanha da presidente Dilma Rousseff e do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, que é pré-candidato ao governo de São Paulo.

Entretanto, o programa é alvo de críticas contundentes. Os médicos brasileiros se uniram em campanha contra a reeleição de Dilma por considerarem que o governo demonizou a categoria, que se posicionou contra o programa. Eles bateram o pé por discordarem do modelo de contratação dos estrangeiros, sem vínculo trabalhista nem revalidação do diploma.

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