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04/03/2014 15:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Em 1ª entrevista, Putin diz que força será "último recurso" na Ucrânia

ASSOCIATED PRESS
In this frame grab provided by the Russian Television via the APTN, President Vladimir Putin, during a live feed, answers journalists' questions on the current situation around Ukraine at the Novo-Ogaryovo presidential residence outside Moscow, on Tuesday, March 4, 2014. (AP Photo/Russian Television via APTN)

O presidente Vladimir Putin disse nesta terça-feira que a Rússia só usará a força militar na Ucrânia como último recurso, em sua primeira entrevista após a escalada de tensão na Crimeia.

O objetivo aparente dos comentários de Putin é acalmar as tensões entre Ocidente e Oriente causadas pelo temor de uma guerra na ex-república soviética. A Rússia, entretanto, se reservou o direito de usar todas as opções na Ucrânia para proteger seus compatriotas lá que estão vivendo em "terror", disse Putin.

O presidente russo, Vladimir Putin, também negou nesta terça-feira que tropas russas tenham tomado a região da Crimeia, no sul da Ucrânia, afirmando que "forças locais de autodefesa" foram responsáveis por tomarem prédios oficiais. Putin também afirmou em entrevista à imprensa que a Rússia não tem interesse em estimular sentimentos separatistas na Crimeia.

"Nós não vamos combater o povo ucraniano", disse Putin, acrescentando que as manobras militares russas que envolvem 150.000 soldados nas proximidades da fronteira com a Ucrânia "já haviam sido planejadas e não têm a ver com a situação atual do país".

Enquanto isso, a tensão continua alta na Crimeia, com tropas leais a Moscou dando tiros de ameaça a soldados ucranianos em protesto. Soldados russos armados tomaram a península estratégica, cercando bases militares, balsas e postos de fronteira. Dois navios de guerra da Ucrânia, ancorados no porto de Sevastopol, continuam impedidos de sair por navios russos.

Diplomacia

Na entrevista, Putin também acusou o Ocidente de encorajar um "golpe inconstitucional" na Ucrânia e alertou que responderá as possíveis sanções econômicas ocidentais.

O presidente da Rússia também afirmou que seu país pretende trabalhar com países do Ocidente usando o Fundo Monetário Internacional (FMI) como uma potencial fonte de ajuda econômica para a Ucrânia. Putin disse que os países do Ocidente pediram à Rússia para segurar a liberação de mais parcelas de um pacote de resgate de 15 bilhões de dólares que ele prometeu a Kiev em dezembro, depois que a Ucrânia rejeitou acordos com a União Europeia a favor de laços mais estreitos com a Rússia.

Paralelamente, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, chegou a Kiev nesta terça-feira e anunciou um pacote de ajuda econômica e técnica para a Ucrânia, em uma demonstração de apoio a seu novo governo em meio à escalada das tensões com a Rússia. Os EUA anunciaram um pacote de um bilhão de dólares de subsídios de energia à Ucrânia, que está diante de um desastre financeiro.

A visita de Kerry acontece no momento em que Washington e seus aliados ocidentais aumentam a pressão sobre Moscou para que retire suas tropas da região ucraniana da Crimeia ou encare sanções econômicas e isolamento diplomático.

(Com Associated Press e Reuters)