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02/03/2014 11:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Crise na Ucrânia: Obama e Putin, visões opostas

Andrew Lubimov/ASSOCIATED PRESS

WASHINGTON (AP ) - O presidente norte-americano, Barack Obama, e seu colega russo, Vladimir Putin, discordam fortemente sobre o que está em jogo na crise Ucrânia.

Esses pontos de vista divergentes ficaram claros em um telefonema de 90 minutos ocorrido no sábado, 1º de março, entre os dois líderes e pode tornar difícil a busca de uma solução para a crise na Ucrânia.

Na chamada de sábado, Obama chamou as ações da Rússia de uma clara violação da soberania da Ucrânia" e pediu para que Putin levar de volta suas forças para as bases russas na Crimeia, região da Ucrânia na fronteira com a Rússia, onde a maioria da população é de origem russa.

O presidente Putin respondeu que a turbulência na Ucrânia traz ameaças reais para a vida e a saúde dos cidadãos russos que vivem na Ucrânia e que a Rússia tem o direito de protegê-los.

Tropas sem identificação mas reconhecidas como sendo da Rússia controlaram pontos-chave da Crimeia no sábado, pouco depois do Parlamento russo autorizar Putin a usar a força militar para proteger os interesses russos na Ucrânia.

O governo recém-instalado da Ucrânia foi impotente para reagir aos movimentos das tropas russas, recebida com bandeiras e manisfestações de apoio pela maioria russa que vive na Crimeia.

A Casa Branca disse em um comunicado que a ação russa era "uma violação do direito internacional".

Horas antes, a equipe de segurança nacional de Obama se reuniu na Casa Branca para se inteirar sobre a situação e discutir as opções políticas. Obama não participou. O vice-presidente Joe Biden e o secretário de Estado, John Kerry, participaram por videoconferência.

"Os Estados Unidos condenam a invasão e a ocupação do território ucraniano da Federação Russa", disse Kerry, que expressou seu apoio à Ucrânia em um telefonema na manhã de sábado com o presidente da Ucrânia, Oleksandr Turchynov .

O secretário de Defesa, Chuck Hagel, conversou por telefone com seu colega russo e ressaltou que, “sem uma mudança no terreno”, a Rússia corre o risco de aumentar a instabilidade na região, isolar-se na comunidade internacional e promover uma escalada que ameaçaria a segurança europeia e internacional, afirmou o Pentágono (comando milita dos EUA).

Mas uma declaração desafiante de Moscou sugeriu que Putin não parece disposto a recuar. Neste domingo, o primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, disse que seu país estava "à beira de um desastre".

“Vladimir Putin ressaltou que, no caso de uma maior disseminação da violência em regiões do leste (da Ucrânia ) e da Crimeia, a Rússia se resguarda o direito de proteger os seus interesses da população de língua russa que vive lá”, disse o Kremlin.

Obama disse a Putin que a forma adequada de responder às preocupações sobre o tratamento de populações étnicas russas e minoritárias na Ucrânia é agir de forma pacífica por meio do contato direto com o novo governo da Ucrânia e através de observadores internacionais. Ele disse que os EUA estão preparados para ajudar a mediar esse diálogo.

Obama também deixou claro que, se Rússia continuar a violar a soberania da Ucrânia e usa integridade territorial, isso teria um efeito negativo sobre a posição da Rússia aos olhos do mundo.

Putin até agora rejeitou as ameaças pouco específicas dos Estados Unidos. Os EUA e a Europa não são obrigados a defender a Ucrânia de uma possível invasão russa porque o país a leste da Europa não tem status de membro da Otan (aliança militar do Ocidente), enquanto que uma ação internacional mais ampla por parte da ONU é quase impossível por causa do poder de veto da Rússia como membro permanente do Conselho de Segurança.

Funcionários do governo disseram na sexta-feira que Obama pode retaliar ao cancelar uma viagem à Rússia em junho próximo para participar da cúpula do G-8 (sete países mais ricos + Rússia) na Rússia e também poderia cortar as negociações comerciais com Moscou.

A Casa Branca disse neste sábado que os EUA vão suspender sua participação em "reuniões preparatórias" para a cúpula, que está programada para acontecer no resort do Mar Negro de Sochi, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno.

As turbulências políticas na Ucrânia, com grande manifestações populares na capital, em Kiev, derrubaram o então presidente Viktor Yanukovych do cargo, depois que ele rejeitou um acordo de parceria com a União Europeia em favor do aprofundamento dos laços históricos de seu país com Moscou. Yanukovych fugiu do país e atualmente está em território russo.

A correspondente da Associated Press na Casa Branca, Julie Pace, contribuiu para esta reportagem.

Impasse entre Ucrânia e Rússia