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01/03/2014 12:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Ucrânia cita movimento de tropas russas enquanto Crimeia escapa do seu domínio

REUTERS/Baz Ratner
Por Pavel Polityuk e Alessandra Prentice

KIEV/SIMFEROPOL, Ucrânia, 1 Mar (Reuters) - A Ucrânia acusou a Rússia neste sábado de enviar milhares de soldados adicionais para a Crimeia e colocou seus militares posicionados na área em alto estado de alerta, enquanto a península do Mar Negro parecia estar escapando do controle de Kiev.

A agência de notícias russa RIA afirmou que autoridades pro-Rússia da região, que tem uma maioria étnica russa, e a frota russa do Mar Negro baseada lá concordaram em proteger os edifícios importantes. O premiê regional, Sergei Aksyonov, disse que a tripulação da frota já estava posicionada, de prontidão.

O principal aeroporto civil da península na cidade de Simferopol anunciou que fechou todo o seu espaço aéreo. A Rússia acusou atiradores apoiados por Kiev de atacar o edifício do Ministério do Interior, ferindo funcionários, em uma "perigosa provocação".

A linguagem utilizada por Moscou lembrava os tempos da Guerra Fria, quando a União Soviética sentiu que seus Estados aliados na Europa Oriental estavam ameaçados por intrigas do Ocidente, algo que o Kremlin citou nas últimas semanas como um fator na crise.

A Alemanha descreveu o desenrolar dos acontecimentos das últimas horas como perigoso. O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que conversou com o chanceler russo, Sergei Lavrov, e apelou para que haja um "alívio" das tensões.

O Parlamento da Rússia, insultando claramente o alerta do presidente norte-americano, Barack Obama, contra uma intervenção russa, pressionou o presidente russo, Vladimir Putin, a "tomar medidas para estabilizar a situação na Crimeia e usar todos os meios disponíveis para proteger a população da Crimeia contra a tirania e a violência."

Depois da derrubada do então presidente ucraniano Viktor Yanukovich, no fim de semana passado, a Crimeia rapidamente se tornou o foco de uma crise com grande perigo para toda a região. Para muitos russos, a Crimeia e sua "Cidade Heroica" de Sebastopol, da era soviética, sitiada pelos invasores nazistas, têm uma ressonância emocional muito forte.

Para a Ucrânia, independente da Rússia desde o colapso da União Soviética em 1991 e que já enfrenta uma crise econômica, sua perda seria um enorme golpe.

"De fato, a Crimeia está praticamente separada da Ucrânia," disse à Reuters um analista político do instituto Penta, Volodymyr Fesenko, que fica em Kiev.

"O cenário da retirada da Crimeia (da Ucrânia) foi acelerado," ele disse, referindo-se a uma decisão de antecipar um referendo sobre o status da Crimeia de maio para março.

"Depois do referendo, a Crimeia poderá formalmente continuar a ser parte da Ucrânia, mas de fato já está claro que haverá um protetorado russo."

Os trens estavam operando normalmente entre a Crimeia e o interior da Ucrânia, e as estradas estavam abertas, mas os principais movimentos marítimos e aéreos pareciam estar sob controle russo.

Os novos líderes da Ucrânia, que participaram de uma longa campanha nas ruas contra Yanukovich, depois que ele rejeitou um acordo com a União Europeia e preferiu estreitar suas relações com a Rússia, parecem estar com grandes dificuldades para lidar com os eventos na Crimeia.

Eles também precisam tomar cuidado com qualquer piora no estado de ânimo da população das regiões industriais do leste, que em grande parte fala russo, o que poderia aumentar o perigo de o país de 46 milhões de habitantes ser dividido.

(Reportagem de Timothy Heritage)

Impasse entre Ucrânia e Rússia