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27/02/2014 09:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Invasão a Parlamento e insistência de presidente deposto deixam Ucrânia em alerta máximo

Darko Vojinovic/AP

Dezenas de homens armados invadiram e tomaram o controle nesta quinta-feira (27) do Parlamento e dos escritórios do governo local da república autônoma da Crimeia, no sul da Ucrânia. Após a invasão, a bandeira ucraniana do Parlamento foi substituída por uma da Rússia.

A invasão marca o aumento das tensões na região, que é etnicamente dominada por russos e virou o centro da reação contra manifestantes pró-Ocidente que derrubaram Viktor Yanukovich da presidência da Ucrânia no último sábado.

Em mensagem publicada no Facebook, o ministro interino do Interior do país, Arsen Avakov, disse que os militares e polícia ucranianos foram colocados em estado de alerta.

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A ocupação acontece um dia depois de um confronto ocorrido em frente ao prédio do Parlamento entre milhares de manifestantes pró-Rússia e tártaros da Crimeia, que deram amplo apoio ao movimento que levou à deposição de Yanukovich.

Alguns radicais russos que vivem na Crimeia, uma península do Mar Negro que pertenceu à Rússia até 1954 e abriga uma frota naval russa, exigem que a região autônoma se separe definitivamente da Ucrânia ou volte a fazer parte do território russo.

Em meio a essa tensão, o presidente interino ucraniano, Alexander Turchinov, disse nesta quinta que qualquer invasão das fronteiras da Ucrânia por forças militares da Rússia será considerada uma "agressão”.

"Estou me dirigindo à Frota Russa no Mar Negro com uma demanda de que todas as forças militares permaneçam dentro dos limites que são determinados pelo acordo de fronteira. Qualquer movimento do exército fora dos limites dessa área será visto como uma agressão", disse Turchinov.

A declaração foi feita depois de o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciar ontem um exercício militar não programado no Oeste do país. O Ministério da Defesa russo afirmou que o exercício não tem relação com a crise política na Ucrânia e será realizado conforme anunciado pelo presidente.

Presidente em fuga

Também nesta quinta-feira, o presidente deposto da Ucrânia, Viktor Yanukovich, afirmou que ainda se considera o líder legítimo do país e declarou que as ações do Parlamento que retiraram seus poderes são ilegais.

Em um comunicado para agências de notícias russas, Yanukovich - cujo paradeiro é desconhecido desde sábado - pediu que a Rússia garanta sua segurança pessoal e disse que está determinado a lutar até o fim.

A Rússia respondeu ao pedido e concordou em fornecer segurança a Yanukovich no país, de acordo com a agência estatal de notícias russa Interfax.

Pessoas em algumas regiões do país dominadas por etnias russas não estão dispostas a aceitar um novo governo eleito por "uma multidão em uma praça", afirmou Yanukovich, referindo-se à Praça da Independência, no centro de Kiev, onde os manifestantes permanecem reunidos e têm escolhido os integrantes da nova administração. "Está ficando claro que a população no sudeste da Ucrânia e na Crimeia não aceitam a anarquia e a falta de lei no país", completou.

Esse foi o primeiro pronunciamento público do líder deposto desde uma rápida entrevista a uma rede de televisão no sábado, depois que ele fugiu da capital Kiev.Yanukovich foi deposto após assinar um acordo de paz com líderes da oposição que pediam eleições antecipadas e mudanças na Constituição do país.

(Com Associated Press e Estadão Conteúdo)