NOTÍCIAS
26/02/2014 13:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Ex-papa Bento XVI nega ter sido forçado a renunciar

Franco Origlia via Getty Images
VATICAN CITY, VATICAN - OCTOBER 17: Pope Benedict XVI waves to the faithful gathered in St. Peter's square during his weekly audience on October 17, 2012 in Vatican City, Vatican. Pontiff has called for a 'Delegation to visit Damascus in the next few days, on behalf of God and all of us, to express our fraternal solidarity to the Syrian population and deliver a special offering from the Synod Fathers and the Holy See'. Members of the delegation include: the Archbishop of Kinshasa, Cardinal Laurent Mosengwo Pasinya; President of the Pontifical Council for Interreligious Dialogue, Cardinal Jean-Louis Tauran and the Archbishop of New York, Cardinal Timothy Dolan. (Photo by Franco Origlia/Getty Images)

Em um raro rompimento do silêncio desde que deixou o comando da Igreja Católica há quase um ano, o ex-papa Bento 16 qualificou de "absurda" as especulações de que teria sido obrigado a abdicar.

A lei eclesiástica diz que a renúncia pontifícia só é válida se o papa tomar a decisão com plena liberdade e isento de pressões alheias.

"Não há absolutamente nenhuma dúvida da validade da minha renúncia do ministério petrino (de Pedro)", disse o papa emérito, de 86 anos, em carta publicada nesta quarta-feira pelo site italiano Vatican Insider.

"A única condição para a validade da minha renúncia é a completa liberdade da minha decisão. Especulações a respeito da sua validade são simplesmente absurdas", escreveu ele em resposta a um pedido do site para que comentasse as recentes especulações na imprensa italiana.

Bento 16 anunciou sua renúncia em 11 de fevereiro de 2013 e a efetivou em 28 de fevereiro, tornando-se o primeiro pontífice em 600 anos a deixar o cargo em vida.

Na época, ele disse que estava renunciando por não ter mais força física e espiritual para comandar uma Igreja com 1,2 bilhão de seguidores.

Neste mês, por ocasião do primeiro aniversário do anúncio da renúncia, o jornal italiano Libero publicou uma longa reportagem reavivando as especulações de que Bento 16 pode ter sido forçado a renunciar por causa dos escândalos no Vaticano.

Em 2012, o mordomo dele foi preso por divulgar documentos delicados, apontando corrupção entre prelados e irregularidades nas finanças da Santa Sé.

A imprensa italiana informou na época que o vazamento havia sido promovido por um grupo de prelados que desejava desacreditar Bento 16 e forçá-lo a renunciar. O Vaticano sempre negou isso.

O ex-pontífice alemão vive praticamente recluso dentro de um antigo convento no Vaticano. O Libero insinuou que Bento 16 optou por continuar se vestindo de branco porque ainda se sente papa.

A respeito disso, o papa emérito respondeu: "Continuo a vestir batina branca e mantive o nome Bento por razões puramente práticas. No momento da minha renúncia, não havia outras roupas disponíveis. Seja como for, uso a batina branca de forma visivelmente diferente daquela como o papa (Francisco) a veste. Esse é mais um caso de especulação completamente infundada."