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23/02/2014 19:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Para PM, operação truculenta em protesto foi um "sucesso"

Rafael Arbex/Estadão Conteúdo

O protesto contra a Copa do Mundo no sábado (22) deixou jornalistas e fotógrafos agredidos, 262 detidos e um número incerto de feridos. No entanto, para o coronel da Polícia Militar (PM), Celso Luiz Pinheiro, comandante do policiamento da região central da capital paulista, a megaoperação foi bem-sucedida.

“Houve menos danos na cidade, menos policiais feridos e menos confronto. Isso para nós, em face das últimas manifestações, já é uma grande realização”, disse o coronel neste domingo (23). “O uso de munição química foi quase nulo, não teve nenhum tiro de bala de borracha”, acrescentou.

Contudo, a repórter do Brasil Post Amanda Previdelli estava no local e constatou o uso de balas de borracha, como mostra o tweet abaixo.

Havia mais policias do que manifestantes no Segundo Grande Ato Contra a Copa, convocado pelo Facebook como uma manifestação contra os gastos na Copa do Mundo de 2014. Em resumo, foram 2.300 policiais contra 1.500 manifestantes. Entre os policiais, 200 faziam parte da chamada “tropa ninja”, com treinamento em artes marciais.

O coronel disse que a polícia adotou uma nova estratégia no protesto: a de antecipação. O objetivo é isolar os black blocs antes que começassem a praticar atos de vandalismo. “Foi o momento em que nós tivemos informações de que haveria quebra da ordem. A atuação começou depois que eles sairiam para fazer a quebradeira. Eles [black blocs] dão os braços e fazem um grito de guerra”, disse.

Pinheiro lamentou agressões sofridas por jornalistas e pediu desculpas por eventuais condutas inadequadas ou excessos cometidos por policiais militar. “Em uma manifestação envolvendo o número de pessoas de ontem, fica muito difícil separarmos manifestantes de eventuais jornalistas que lá estejam”, declarou. Ao menos quatro repórteres e um fotógrafo de diferentes portais de notícias foram agredidos. Segundo a PM, cinco policiais ficaram feridos.

Ele informou que o uso de equipamentos de proteção por parte dos jornalistas como máscaras, capacetes e óculos tornou difícil a distinção dos profissionais da imprensa em relação aos black blocs. Veja o vídeo exclusivo do Brasil Post que mostra uma agressão da PM contra um jornalista:

O tumulto na manifestação começou na Rua Xavier de Toledo, região central. Houve depredação de agências bancárias e confronto entre manifestantes e policiais. Alguns participantes mascarados foram isolados por um cordão formado por homens da Força Tática. Todos as 252 pessoas detidas foram liberadas, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

O coletivo Se Não Tiver Direitos, Não Vai Ter Copa reclamou da atuação policial. “Antes do início da marcha, fizeram um desfile militar provocando manifestantes, semelhante ao da época da ditadura, para tentar amedrontar os manifestantes. Não conseguiram. O ato seguiu forte, composto por diversos grupos, até a altura do metrô do Anhangabaú quando o efetivo desproporcional da PM se lançou sobre um grupo de manifestantes. Agressão, transgressão dos direitos e prisão em massa. Advogados presentes que acompanhavam a abordagem absurda foram agredidos por policiais e impedidos de realizar o seu trabalho”, diz o comunicado.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)