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21/02/2014 17:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

De olho nas eleições 2014, Dilma visita papa Francisco

Dilma e o papa Francisco em Roma

A presidente Dilma Rousseff chegou nesta sexta-feira (20) ao Vaticano para o que foi seu terceiro encontro com o papa Francisco em menos de um ano. No sábado (22), ela participa da cerimônia na qual o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, será oficializado como cardeal.

O encontro desta sexta-feira durou menos de 40 minutos e, nele, a presidente Dilma pediu que o papa se posicionasse a respeito da questão do racismo no mundo. Ao falarem de questões mais amenas, Dilma brincou pedindo neutralidade na Copa do Mundo e pediu para "que a mão de Deus não empurre aquela bola novamente", em referência ao gol de mão marcado pelo argentino Maradona no mundial de 1986, segundo informações da Globo News.

A simpatia da presidente pelo pontífice é reiterada em entrevistas da presidente. Nesta semana, Dilma afirmou para rádios do Piauí que "respeita muito o papa Francisco por ele ser latino-americano". Os dois também famosamente têm uma relação cordial desde que o papa argentino pisou em solo brasileiro como papa pela primeira vez, na Jornada Mundial da Juventude, em julho de 2013. Na ocasião, viralizou o comentário feito por Francisco de que “o papa é argentino, mas Deus é brasileiro”.

Em ano de eleição, a presidente, com sua relação amistosa, não se distancia da maioria esmagadora do povo brasileiro. Segundo pesquisa da agência Bendixen&Armandi, 91% dos brasileiros consideram que o trabalho de Francisco é muito bom ou bom.

“O encontro entre o papa e a presidente é uma manifestação clara de uma aproximação com a Igreja Católica. Isso tem significado tanto em ano eleitoral quanto em relação à bancada evangélica no Congresso”, explica a professora Katia Saisi, especialista em Marketing Político e Eleitoral e doutora em Ciência Política pela PUC-SP.

A questão da religião já foi pauta importante em 2010, inclusive tema de debate político, que trouxe questões como aborto. Para 2014, segundo Katia, ainda há a candidatura de Marina Silva (PSB-Rede), em aliança com o governador de Pernambuco Eduardo Campos: “temos que lembrar que em 2010 a Marina chegou a quase um quinto dos votos e muito da base eleitoral dela é feita de jovens e evangélicos”.

De acordo com o analista político Rafael Cortez, professor de política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), “a associação com a Igreja é importante por conta do perfil de preferência da sociedade brasileira, que vincula política e religião”, disse em entrevista para a BBC Brasil.

O próprio Planalto reconhece a popularidade do papa Francisco. Uma proximidade da presidente, que já viu sua aprovação sofrer em debates ligados à religião, como a questão do aborto, com o papa pop, é bem vinda. “Ele é um papa muito popular. Ele tem uma ligação com a luta social inusitada para um papa. É muito mais forte. A presidenta Dilma passou a desenvolver uma relação muito próxima com o papa Francisco”, disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, em entrevista oficial para o Portal Brasil.

Pelo Twitter, a presidente Dilma Rousseff já avisou que vai convidar o papa Francisco para voltar ao Brasil - dessa vez para assistir à Copa do Mundo. Infelizmente, porém, o papa não confirmou presença no evento #copa2014.

Ela levou lembranças brasileiras para o pontífice e recebeu um terço do papa, segundo a BBC Brasil.

“O brasileiro é religioso, independente de qual religião. A questão religiosa pega. Vivemos em uma sociedade que a identificação religiosa é que nem de time de futebol. A aproximação de Dilma faz parte de uma estratégia política”, afirma a professora Katia Saisi.

Faz sentido, então. Em um país onde 85% das pessoas respondem que acreditar em Deus torna as pessoas melhores, uma aproximação com o representante Dele na Terra, pode vir a calhar.