COMPORTAMENTO
21/02/2014 17:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Carnaval 2014: 10 jeitinhos brasileiros de curtir a folia

REYNALDO VASCONCELOS/ESTADÃO CONTEÚDO

O Carnaval está chegando, e o Brasil Post foi atrás de foliões para descobrir como eles fazem para se divertir em 10 cidades ao redor do país. Dos locais mais tradicionais, como Olinda e Recife, aos mais inusitados, como Brasília, a festa toma conta.

1. SALVADOR

Salvador tem Carnaval o ano inteiro, mas, durante a festa oficial, a coisa esquenta. A jornalista baiana Lorena Bertino, de 29 anos, conta sua experiência: “O Carnaval aqui é uma coisa única, não existe igual em nenhum lugar do mundo. Vai todo mundo para a rua: jovens, famílias, adulto e criança. Em geral, os blocos são conduzidos pelos trios elétricos. Você compra o abadá e tem direito a brincar dentro da cordinha. Já participei do Araketu, do Bloco Eva, do NanaBanana, entre outros. Quem fica do lado de fora, fica na pipoca, que é tão divertido quanto, só que mais barato. Há também muitos camarotes famosos. Já fui ao camarote Salvador e ao Expresso 2222, onde encontrei o Caetano Veloso. Em geral, o público é mais jovem. Alguns blocos costumam atrair pessoas específicas, como o Bloco Skol, que toca música eletrônica, e o Crocodilo, da Daniela Mercury, que traz um público mais GLS. Todos esses acontecem nos circuitos da cidade baixa.”

2. OLINDA/RECIFE

Antonio Recamonde, 26 anos, é um publicitário pernambucano que não perde a oportunidade de passar o Carnaval entre as duas cidades. “Costumava fazer o que todo recifense com coragem faz. Passava a manhã e à tarde em Olinda e à noite, ia para o Recife Antigo. Quando falta gás, é preciso escolher entre um e outro. A minha dica é: se estiver solteiro, Olinda é o melhor lugar, Recife é mais indicado para quem quer ver algum show. Nas duas festas, o público varia em todos os quesitos imagináveis, não tem como dizer se é jovem. É tudo bem misturado, em idade e gênero.” Como não poderia faltar, tudo é regado a Frevo, a música típica pernambucana, dançada com os guarda-chuvas coloridos. Os icônicos bonecos gigantes de Olinda também têm presença garantida no Carnaval local.

3. RIO DE JANEIRO

A capital carioca tem um dos Carnavais mais democráticos do Brasil, com folia para todos os gostos - dos blocos de rua às escolas de samba da Sapucaí. A atriz Gabriela Estevão, 29 anos, nascida na cidade, aproveita um pouco de tudo: “Desde 2010, sou porta-bandeira do bloco de rua Meu Bem, Volto Já!, que desfila no Leme toda terça-feira de Carnaval. Além disso, este é o segundo ano que vou desfilar como integrante da composição do Salgueiro. Eu adoro Carnaval. De rua e de avenida. Adoro me fantasiar, pular e ouvir o ressoar da bateria. Também costumo frequentar os blocos da Liga da Sebastiana, como o Barbas, Imprensa que eu gamo e Simpatia é Quase Amor. Cada ano tem novas opções e acho que a aposta em blocos menores é muito válida. Os bailes de máscara são ótimos para quem curte uma festa mais produzida; a Liga da Sebastiana tem um baile que eu nunca perco.”

4. SÃO PAULO

São Paulo também não fica atrás. Os bloquinhos de rua, a exemplo do Rio de Janeiro, ganharam versões por lugares típicos da cidade, como a Praça Benedito Calixto e o Elevado Costa e Silva, mais conhecido como Minhocão. Mas há quem prefira os eventos mais tradicionais ligados às escolas de samba da cidade. É o caso do aposentador paulista Wilson Ribeiro, de 62 anos, que não perde um dia no sambódromo. “Hoje, eu moro no Guarujá, no litoral paulista, mas, quando eu morava em São Paulo, ia sempre aos ensaios das escolas mais próximas, assim como nos ensaios técnicos realizados na avenida. Minha escola de coração é a Vai-Vai, mas já desfilei em vários lugares. Sinto que sou pé frio, sempre que participo, a escola vai mal. Como não moro mais na cidade, me hospedo em um hotel bem próximo ao Sambódromo, assim não perco tempo.”

5. OURO PRETO

No interior de Minas Gerais, a festa da cidade histórica é uma das mais famosas. Para o advogado mineiro Matheus Hosken, de 23 anos, o Carnaval de lá é bem eclético. “Há pessoas de todas as regiões do Brasil, mas creio que a maior parte delas vem do interior de Minas e do Rio de Janeiro. Há blocos de rua tradicionais, como o Bloco do Caixão, um dos mais famosos do Carnaval ouro-pretano, e blocos organizados pelas repúblicas federais ou particulares em estilo "micareta", com pista (normalmente open-bar de cerveja) e camarote (open-bar de cerveja, vodca, whisky, refrigerante, energético). Além disso, durante as madrugadas, existe uma rua tradicionalmente LGBT em todos os dias da festa. Alguns shows são oferecidos com entrada franca pela Prefeitura Municipal."

6. SÃO LUIZ DO PARAITINGA

Na época do Carnaval, a cidade do interior de São Paulo se dedica à folia. A engenheira paulista Ana Luiza Campos, 26 anos, que já brincou em diversas cidades do Brasil, acredita que essa seja uma das festas mais envolventes do país. “É um Carnaval de marchinhas próprias, é impossível ouvir e não cantar as músicas mais famosas. É um Carnaval jovem, mas também tem muita família. Apesar de a cidade não ter muita estrutura, tudo é movimentado pela festa. Os moradores liberam o banheiro das suas casas e jogam água pela janela para amenizar o calor.” Entre os blocos mais conhecidos da cidade, estão Juca Teles, Maricota e Gabriel Barbosa.

7. BRASÍLIA

A tradicional cidade do Rock também pula Carnaval. A estudante Anna Caroline de Moraes, 21 anos, é do Mato Grosso, mas mora há três anos na capital brasileira. “No ano passado, eu fui ao Babydoll de Nylon, uma festa de rua em que homens e mulheres vestem baby-doll. Por lá tem ainda o Aparelhinho, bloco comandado pelos DJs Criolina, que geralmente comandam as principais festas da cidade, e no Carnaval embalam o bloco com as tradicionais marchinhas. Além disso, quase todos os dias, sai o Galinho, o maior bloco de Brasília, com pessoas fantasiadas tomando as ruas dos principais pontos da cidade. Já no Balaio, um dos principais bares alternativos da cidade, tem um pré-carnaval voltado ao público feminino, com uma roda de samba chamada Essa Boquinha Eu Já Beijei. Para completar, também rola o bloco feminista Perseguidas. Acho interessante como o engajamento político continua mesmo em período de festas.“

8. FORTALEZA

A festa na capital cearense não é tão tradicional quanto em outras cidades brasileiras, mas, para a gerente de marketing, Marina Araujo, de 23 anos, o que não falta lá é emoção: “O Carnaval de Fortaleza é muito amor. Em geral, são foliões cearenses mesmo que participam. Há uma cultura de Carnaval na rua bem forte, alguns blocos saem há 50 anos. Eu vou desde criança com o meu pai no Num Ispaia Senão Ienche. Eles têm uma orquestra organizada que toca músicas, como da Tropicália, em ritmo de carnaval. Outro bloco que ficou famoso é o Luxo na Aldeia. Tem também o Sanatório Geral, no bairro universitário do Benfica, que sobrevive apenas das doações dos foliões. Além da festa de rua, há algumas festas nos clubes que também são famosas, como o Baile da Saudade, no Clube Náutico da cidade, e os shows realizados na praia nas noites de Carnaval.”

9. VITÓRIA

Na ilha do Espírito Santo, Carnaval e mar andam juntos. A empresária Denize Tristão, natural de Vitória, de 57 anos, explica isso: “Há desfiles das escolas de samba locais, que acontecem uma semana antes do evento no Rio de Janeiro. As festas de rua também são fortes, com blocos, trios elétricos e bailes de Carnaval. Em geral, os desfiles acontecem na av. Jerônimo Monteiro, no centro da capital. Um dos blocos mais diferentes é o Banho de Mar a Fantasia, que acontece há mais de quatro décadas, realizado sempre aos sábados de Carnaval. Os moradores desfilam fantasiados com papel crepom ao som de samba e marchinhas. No fim, todos vão para o mar, colorindo as águas da praia de Manguinhos, que fica em Serra, cidade da região metropolitana de Vitória. Muita gente vai fantasiada, eu mesma sou uma. Não perco por nada essa festa.”

10. SÃO LUÍS

Pelos casarões do centro histórico da capital do Maranhão, no bairro da Madre Deus, saem os blocos mais tradicionais de São Luís. O músico e compositor maranhense Luzian Filho, de 28 anos, conta um pouco mais a respeito: “O Carnaval aqui tem uma infinidade de categorias de cultura de rua. Há escolas de sambas, as quais, originalmente, eram chamadas de turmas de samba. Também há os chamados blocos tradicionais que são hoje a maior expressão do Carnaval de São Luís. Nesse tipo de bloco, se utiliza um instrumento genuinamente maranhense chamado de contra-tempo, que é um tipo de tambor de aproximadamente 1,5m, tocado em pé. A batida é inconfundível, não existe em nenhum lugar do mundo. O público é bem diversificado e os blocos tradicionais que falei anteriormente são grandes famílias, os costumes e tradições são passados de pai pra filho.”