COMPORTAMENTO
21/02/2014 18:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Bichos exóticos são os novos animais de estimação

animais exoticos estimacao

Muitos veem os bichos exóticos e silvestres como uma ameaça à vida, mas a verdade é que eles são os novos pets. Animais peludos e engraçadinhos – gatos, cachorros, coelhos - estão sendo cada vez mais substituídos por espécies de pele áspera, fria e de aparência medonha. Até os simpáticos periquitos e calopsitas começam a ser trocados por aves cada vez mais diferentes. Já pensou em ter em casa um gavião, uma cobra, uma coruja ou um teiú?

Fomos atrás de especialistas e pessoas que são apaixonadas por esses novos animais de estimação para saber como aderir a essa nova onda.

Répteis

fernando

Muita gente nem se aproximaria do portão do empresário Fernando Henrique Amizes Felipe se soubesse que ele tem duas jiboias amazônicas, uma jiboia arco-íris, um lagarto teiú e um gato sem pelos da raça Sphynx. “A reação das pessoas é bem variada, mas, no geral, é de surpresa ou espanto. Elas me julgam como louco por ter esses bichos em casa, mas basta um pouco de convivência e conhecimento para encará-los como pets e não como monstros que podem matar a todos”, disse Fernando ao Brasil Post.

Segundo o veterinário Rodrigo Rabello, proprietário da clinica Exotic Life, são vários os motivos que têm levado as pessoas a escolherem um réptil como animal de estimação. “Além de beleza, existe a questão da fácil adaptação. Algumas espécies, principalmente as serpentes, não necessitam de grandes espaços, quase não fazem barulho, produzem poucos dejetos, e fazem um grande intervalo entre suas refeições. Elas podem ser alimentadas semanalmente, a cada 10 ou 15 dias, ou ainda podem ficar tranquilamente 30 dias sem se alimentar, caso haja necessidade.” Ou seja, são ótimos pets para quem gosta de viajar e não tem com quem deixar seu bichinho.

Aves

falcoeiros

Os falcoeiros Adriano Segalla e Diego Bitener da B&S Falcoaria já tiveram cobras, aracnídeos, anêmonas, peixe palhaço, coral, moreia, camarão! Hoje são proprietários de aves um tanto quanto diferentes: águia, gavião, falcão e coruja. “Apesar de esses animais demandarem mais cuidados, já que precisam ser treinados e amansados, acho prazeroso vê-los voando e retornando para o dono”, conta Diego.

Segundo ele, essas aves podem ser criadas até em apartamento. Mas nesse caso é necessário levá-las pelo menos três vezes por semana para um treinamento de voo. “Por isso é bom que o dono estude sobre falcoaria”, diz. A alimentação também exige cuidados. “Deve ser composta de roedores, codornas, pintinhos ou pombos. Estes últimos precisam ser de origem confiável já que são potenciais transmissores de doenças”, completa Diego.

Mamíferos

melanie rabello

Melanie Rabello é veterinária e tem em casa hamster, mercol, porquinho da índia e chinchila. “Eles são excelentes animais de estimação. Sempre muito ativos, costumam ter uma boa interação com o dono. Mas, para criá-los, é necessário investir em gaiolas, bebedouros e comedouros específicos para cada espécie. Além disso, eles precisam ingerir uma grande quantidade de fibras diariamente. Ou seja, além da ração, devem-se oferecer verduras, preferencialmente de cores escuras”, explica ela.

Eles também passeiam, mas exigem cuidados

Quando o assunto é passeio em lugares públicos, Rodrigo desaconselha: “Podem acontecer acidentes, mesmo no caso de o animal ser manso. Às vezes, algum curioso acabou de mexer em outro animal, como um cão ou gato, e ficou com o odor nas mãos. Isso pode confundir a serpente, desencadeando um ataque por engano”. De qualquer forma, para os proprietários que insistirem em sair com o pet, o veterinário sugere tomar alguns cuidados:

>> Saia sempre com a nota fiscal do animal. No caso dos répteis, ela deve conter o número do microchip. Na documentação de algumas aves, como a cacatua, é preciso haver o número da anilha. “Isso evita que ele seja apreendido em uma abordagem do Ibama ou de qualquer outra autoridade”, explica. Já os roedores não necessitam de documentos.

>> É extremamente importante saber manejá-lo, para que lesões e acidentes sejam evitados.

>> Sempre lave as mãos antes de tocar no animal.

>> Jamais transporte o bicho solto dentro do veículo. Use caixas de transporte ou gaiolas específicas para cada espécie.

>> Na hora de manejar uma ave de rapina, use luvas para se proteger das garras.

>> Tenha atenção redobrada com as crianças.

daniella negri kakahara

A supervisora de obras Daniella Negri Nakahara não hesita em levar Noah, uma jiboia amazônica de oito anos, para passear. “Aos finais de semana, nós vamos ao parque aproveitar as tardes de descanso com sombra e água fresca. Além disso, ela dorme no meu quarto e me acompanha nas apresentações de dança do ventre. Para que ela se acostume com o contato com pessoas desconhecidas, costumo manejá-la diariamente. Assim ela fica mais dócil”, conta.

fernando braidotti

E não se espante se encontrar Athos com seu dono, o empresário Fernando Braidotti, passeando por parques, shoppings que permitem animais ou qualquer outro lugar público. Essa coruja da espécie Bubo Virginianus de um ano e meio, passeia todo final de semana. “As pessoas me perguntam se é bonzinho e se pode passar a mão. Muitas tiram fotos, já outras ficam com dó ao saber que ele come ratos vivos (risos). Carrego sempre o Athos em uma caixa de transporte com poleiro e sempre levo comigo a nota fiscal”, diz.

Antes de escolher o pet, atenção!

rodrigo rabello

De acordo com Rodrigo, vários fatores precisam ser considerados na hora da escolha. “A pessoa tem que ter tempo disponível para a interação, deve estar atenta à alimentação e à limpeza, precisa reservar um espaço específico para o bicho em casa – isso pode evitar fugas -, estar ciente dos gastos para a manutenção e, realmente, gostar do animal”, destaca ele.

Além disso, é importante que toda a família esteja de acordo com a decisão e que seja feita uma pesquisa prévia sobre a espécie desejada. “Aconselho que o futuro dono busque informações sobre a saúde e o comportamento característicos do animal, manejo adequado e alimentação indicada. Na prática, o ideal seria que os criadores que comercializam esse tipo de pet entregassem um guia de cuidados básicos, porque é esperado que eles tenham experiência suficiente para passar esse tipo de informação.”

Segundo o IBAMA, ainda não existe uma lista oficial com os animais que podem ser criados como estimação. O órgão aconselha então que esses pets sejam adquiridos somente em criadouros autorizados por ele ou pelo órgão ambiental de cada Estado. Na hora da compra, deve ser exigida a nota fiscal com o nome científico, nome popular e a marcação do microchip (no caso de répteis). É importante ainda que seja solicitado ao criadouro ou revenda uma leitura de microchip, para se ter a certeza de que a marcação descrita na nota fiscal confere com a do animal a ser adquirido.

Decisão tomada, lembre-se sempre de levar o pet regularmente ao veterinário e certifique-se de que o profissional seja especializado em animais silvestres ou exóticos.