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18/02/2014 10:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Turismo no Egito fica cada vez mais arriscado

Associated Press

O grupo militante Ansar Bayt al-Maqdis alertou nesta terça-feira (18) os turistas a deixarem o Egito "antes que seja tarde" e ameaçou atacar qualquer um que estiver no país depois de 20 de fevereiro.

O grupo baseado no Sinai, que reivindicou a autoria de um ataque que matou dois turistas sul-coreanos e um egípcio no domingo, fez o comunicado em uma conta no Twitter.

A militância islâmica tem aumentado consideravelmente na região relativamente sem lei ao lado de Israel e a Faixa de Gaza e em outros lugares no Egito desde que o Exército depôs o presidente islamita Mohamed Mursi em julho, seguido de protestos em massa.

O grupo Ansar Bayt al-Maqdis não tem como competir com o Exército mais poderoso do mundo árabe, mas acredita que atacar turistas vai prejudicar o governo mais do que as ações contra soldados, dada a necessidade do Egito por recursos do turismo para conter o déficit orçamentário.

O ataque a bomba contra um ônibus turístico no Egito por jihadistas marca uma mudança estratégica para alvos não militares que pode afetar ainda mais uma economia já com problemas por conta dos distúrbios políticos.

Embora o número de vítimas tenha sido relativamente baixo, os extremistas sabem que as imagens de TV do ônibus danificado prejudicará uma indústria do turismo já em dificuldades e vital para a economia.

Ameaças - O Ansar Bayt al-Maqdis é o grupo militante islâmico mais ativo no Egito e, inspirado na Al Qaeda, prometeu derrubar o governo interino instaurado pelo chefe das Forças Armadas, Abdel Fattah al-Sisi.

No mês passado, o grupo ameaçou atacar "os interesses econômicos do regime", citando especificamente um duto de gás. Dutos de gás foram atacados com bombas desde então.

Com base na península do Sinai, o Ansar Bayt al-Maqdis tem intensificado ataques, matando centenas de policiais e soldados desde julho e assumindo a responsabilidade por uma tentativa de assassinato do ministro do Interior no Cairo.

No mês passado, um vídeo no YouTube mostrou o que seria supostamente um ataque a míssil do Ansar Bayt al-Maqdis contra um helicóptero, matando cinco militares. No vídeo, uma voz faz um alerta aos líderes egípcios.

"Falamos para os nossos tiranos: não é hora de vocês aprenderem com o que aconteceu na Líbia, na Síria e em outros Estados muçulmanos?", disse um homem identificado como Mujahid Abi Osama al-Masri.

A revolta que derrubou Hosni Mubarak em 2011 assustou muitos turistas. Somente em 2013, a receita do turismo egípcio afundou 41%. O número de diárias passadas no país entre julho e setembro do ano passado caiu 57% para cerca de 15 milhões e a média de gastos dos visitantes também caiu. O turismo era responsável por mais do que 10 por cento do produto interno bruto antes da queda de Mubarak.

(Com agência Reuters)