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17/02/2014 15:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

ONU denuncia "crimes nazistas" na Coreia do Norte, que fala em complô

Kim Hong-Ji/Reuters

Um grupo de investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta segunda-feira que o governo da Coreia do Norte de ser levado a um tribunal internacional por uma série de crimes contra a humanidade que incluem extermínio, fome e escravização de sua população. O grupo disse que os crimes não têm paralelo no mundo e são parecidos com os nazistas.

"São seis décadas de abusos aos direitos humanos em sua forma mais extrema e insensível", disse Juliette de Rivero, do grupo Human Rights Watch.

"Violações dos direitos humanos de forma sistemática, generalizada e grave têm sido cometidas pela República Democrática Popular da Coreia, suas instituições e suas autoridades", diz o documento da Comissão de Inquérito sobre a Coreia do Norte, estabelecida em março de 2013 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.

"Em muitos casos, as violações dos direitos humanos descobertas pela comissão constituem crimes contra a humanidade. Não se trata de meros excessos do Estado, são componentes essenciais de um sistema político e que vão muito além dos ideais sobre os quais afirmam estar fundamentados", diz o relatório. "A gravidade, escala e natureza dessas violações revelaram um Estado que não tem qualquer paralelo no mundo contemporâneo."

O relatório também faz duras críticas à negação de liberdades básicas de pensamento, expressão e religião aos norte-coreanos, e ao sequestro de cidadãos de países vizinhos como Coreia do Sul e Japão.

O presidente da comissão, Michael Kirby, escreveu ao líder norte-coreano Kim Jong Un - o terceiro governante da dinastia comunista fundada por seu avô em 1948 - para dar a ele a última chance de apresentar os argumentos de seu país. Na carta de 20 de janeiro, reproduzida no relatório, Kirby diz a Kim que ele pode enfrentar pessoalmente a Justiça por crimes cometidos pelo Estado que ele governa.

O documento diz que dentre as opções está a possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU encaminhar o país ao Tribunal Penal Internacional ou o estabelecimento de um tribunal ad hoc, ou seja, específico para o caso norte-coreano.

Os Estados Unidos saudaram o relatório, dizendo que ele "clara e inequivocamente documenta a realidade brutal" dos abusos na Coreia do Norte. Mas a China, aliada de Pyongyang, se opõe fortemente a tal medida, dizendo que ela "não ajudaria a resolver a situação dos direitos humanos" e que um "diálogo construtivo" é a resposta para a questão.

A Coreia do Norte enfrenta, há anos, sanções internacionais por causa de seu programa de armas nucleares, mas ativistas dizem que a justiça está muito atrasada quando o assunto é direitos humanos.

Reação - Em resposta, a Coreia do Norte "rejeita categórica e totalmente" o relatório sobre a situação dos direitos humanos no país, segundo nota enviada à Reuters pela missão diplomática norte-coreana em Genebra.

O documento de duas páginas diz que o relatório é um "instrumento de complô político" e um "produto da politização dos direitos humanos por parte da UE e do Japão em aliança com a política hostil dos EUA".

"No entanto, continuamos a responder fortemente até o final a qualquer tentativa de mudança de regime e a pressões sob o pretexto da ‘proteção aos direitos humanos'", disse o texto.

"A RDPC (sigla oficial da Coreia do Norte) mais uma vez deixa claro que as ‘violações dos direitos humanos' mencionadas no chamado ‘relatório' não existem em nosso país."

(Com agência Reuters)