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13/02/2014 13:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Menos da metade dos jovens latinos está empregada

desemprego

Dos 108 milhões de jovens da América Latina, apenas 56 milhões são parte da força de trabalho, ou seja, têm um emprego ou buscam uma ocupação. A informação é da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que divulgou nesta quinta-feira o relatório sobre “Trabalho decente e juventude: políticas para a ação”.

A taxa de desemprego juvenil continua sendo o dobro da taxa geral e o triplo da dos adultos na região. Além disso, os jovens representam 43% do total dos desempregados da região, segundo o estudo da OIT.

O índice de desemprego entre jovens com idades entre 15 e 24 anos é de 13,9 em 2011. A taxa brasileira para o mesmo grupo é ainda maior: 15,3%.

A qualidade do emprego é outra má notícia. O relatório afirma que seis em cada dez empregos gerados para jovens são informais. Entre os jovens empregados, 55,6% conseguem emprego em condições de informalidade, o que geralmente implica baixos salários, instabilidade laboral e carência de proteção e direitos. De todos os jovens que são assalariados, apenas 48,2% têm contrato assinado, em comparação com 61% dos adultos.

A OIT alerta que a situação de crescimento econômico com emprego registrada nos últimos anos na América Latina não foi suficiente para melhorar o emprego dos jovens, que continuam enfrentando um cenário pouco otimista no qual persistem o desemprego e a informalidade.

“Estamos diante de um desafio político que demanda uma demonstração de vontade na aplicação de políticas inovadoras e de efetividade para enfrentar os problemas da precariedade laboral”, disse a Diretora Regional da OIT para a América Latina e Caribe, Elizabeth Tinoco, ao apresentar os resultados de um estudo que revela que nos últimos anos houve poucas mudanças. “É evidente que o crescimento não basta. É urgente passar da preocupação à ação”, acrescentou.

A Diretora da OIT acrescentou que “não é casual que os jovens sejam defensores dos protestos de rua quando suas vidas estão marcadas pelo desalento e a frustração por causa da falta de oportunidades. Isso tem consequências sobre a estabilidade social e inclusive sobre a governabilidade democrática”.

Estudo - Um dos problemas mais preocupantes é que cerca de 21 milhões de jovens que não estudam nem trabalham, os chamados NEMNEM. Aproximadamente um quarto desses jovens buscam trabalho mas não conseguem e cerca de 12 milhões dedicam-se a afazeres domésticos, em sua grande maioria mulheres jovens.

Os outros jovens, aproximadamente 4,6 milhões, são considerados pela OIT como o “núcleo duro”, e representam o maior desafio e os que estão em risco de exclusão social, pois não estudam, não trabalham, não procuram emprego e tampouco se dedicam aos afazeres domésticos.

A “boa notícia” é que a porcentagem de jovens que somente estudam aumentou de 32,9% em 2005 para 34,5% em 2011. “Não há dúvida de que temos a geração mais educada da história e por isso mesmo é necessário tomar as medidas apropriadas para aproveitar melhor seu potencial e dar-lhes a oportunidade de iniciar com o pé direito sua vida laboral”, disse Tinoco.

O documento compara dados entre os anos 2005 e 2011 e destaca que ao final deste período o desemprego juvenil chegou a 13,9%. Ainda que a taxa tenha baixado em 16,4% em relação a 2005, os trabalhadores de 15 a 24 anos continuam enfrentando dificuldades para encontrar um emprego, e mais ainda um emprego de qualidade.

Junto com a divulgação deste relatório, a OIT publica em seu site uma Plataforma de Políticas sobre Emprego Juvenil na região.