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13/02/2014 09:00 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Médicos brasileiros se unem em campanha contra a reeleição de Dilma Rousseff

Valter Campanato/ABr

Enquanto o Palácio do Planalto se preocupa com o abandono em série de cubanos do programa Mais Médicos, uma ação robusta com vistas à campanha eleitoral vem sendo orquestrada pela classe médica brasileira. Em grupos do WhatsApp e do Facebook, nos corredores de hospitais e em congressos médicos, são frequentes as críticas e os ataques à gestão de Dilma Rousseff e do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha. A categoria acredita que foi demonizada pelo governo por se posicionar contra o programa implantado em agosto de 2013. Em rede e em sintonia, a maioria dos 400 mil médicos do País deverá constituir uma das frentes de oposição mais contundentes à reeleição de Dilma.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) afirma que, ao implementar o Mais Médicos, o governo vendeu a ideia de que as dificuldades no Sistema Único de Saúde (SUS) eram decorrentes da falta de médicos interessados em trabalhar no interior e na periferia das grandes cidades. "Não se pode apresentar à população os médicos como se fossem mercenários, que se recusam a atender os mais necessitados", critica o vice-presidente do CFM, Carlos Vital Corrêa. "O governo se valeu de marketing caro e induziu a população contra os médicos de maneira injusta."

Segundo a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), o governo Dilma decidiu implementar o Mais Médicos por se tratar de um "programa eleitoreiro", que já havia sido testado com êxito na Venezuela por Hugo Chávez. A chegada de médicos vindos do exterior, anunciada logo após os protestos de junho, seria uma resposta às demandas das ruas.

"Diante de sua impossibilidade gerencial de garantir assistência médica à população brasileira, o governo trabalhou a ideia de que os médicos brasileiros quisessem ganhar R$ 30 mil e, por isso, teria que trazer esses campeões da solidariedade cubanos", analisa o presidente da Fenam, Geraldo Ferreira, acrescentando que o salário do médico nos municípios contemplados pelo programa é, em média, de R$ 1.500 por 20 horas semanais.

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A categoria bateu o pé por discordar do modelo de contratação dos estrangeiros, sem vínculo trabalhista nem revalidação do diploma. A resposta do governo foi, segundo Geraldo Ferreira, "extremamente agressiva, jogando para a categoria adjetivos de playboys, corporativistas, xenófobos e até racistas". É o ressentimento com esse tratamento recebido pelo governo Dilma o combustível que pode incendiar a campanha dela à reeleição.

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Ações dos médicos na campanha eleitoral

Como o Mais Médicos é o principal ativo eleitoral da presidente, as referências ao programa e seus benefícios às populações carentes serão constantes durante a campanha. Formadores de opinião, os médicos brasileiros prometem dar a sua versão. "Vamos exibir as mazelas da saúde, o que não está funcionando, e mostrar que o governo está vendendo uma ilusão com o Mais Médicos", promete o presidente da Fenam.

O raio de influência dos médicos, durante as eleições, abrange não apenas famílias e amigos, como no caso de um eleitor comum. Grupos de pacientes e outros profissionais de saúde, que circulam diariamente em hospitais e consultórios, poderão ser impactados pela mensagem da classe de descontentamento com o atual governo. A Fenam calcula que os médicos podem influenciar de 20 a 40 milhões de votos.

Além disso, a federação está fomentando o lançamento de candidaturas de médicos por partidos de oposição ao atual governo. Em relação à disputa presidencial, a ideia é buscar candidatos que ofereçam alternativas de financiamento adequado do SUS e de respeito aos direitos trabalhistas e à assistência médica.

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