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12/02/2014 15:34 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Filhos of The Dark: o primeiro bloco de carnaval e heavy metal do mundo

AFP via Getty Images
A participant in the 24th heavy metal Wacken Open Air (WOA) Festival 2013 makes the rock hand sign in Wacken, northern Germany on August 1, 2013. With some 80,000 festival visitors it attracts all kinds of metal music fans, such as fans of black metal, death metal, power metal, thrash metal, gothic metal, folk metal and even metalcore, nu metal and hard rock from around the world. AFP PHOTO / PHILIPP GUELLAND (Photo credit should read PHILIPP GUELLAND/AFP/Getty Images)

Carnaval é sempre igual, correto? Não para os integrantes do Filhos of The Dark. Apresentado como “o primeiro bloco de carnaval e heavy metal do mundo”, o projeto montado na cidade de Belém, Pará, substitui as tradicionais marchinhas e os ritmos típicos da festa brasileira pelas guitarras pesadas do Heavy Metal. Ou quase isso.

Segundo o arquiteto Diogo Carvalho (26), um dos criadores do projeto, o FOTM é “um bloco de rua que toca músicas de heavy metal em ritmos do carnaval brasileiro”. A proposta surgiu ainda em 2013 e teve a primeira edição realizada no último dia oito de fevereiro.

No repertório, nada de nomes consagrados como Chiclete Com Banana, Ivete Sangalo ou qualquer outro ícone do carnaval brasileiro. Apenas versões para música de artistas do gênero, como Metallica, Black Sabbath e a banda inglesa Iron Maiden. É justamente desta último que vem o título do projeto. Uma homenagem ao disco Fear of the Dark, de 1992, e um cruzamento com blocos que usam a palavra “filho” como apresentação - caso do tradicional Filhos de Gandhy.

Para participar da diversão, o “brincante” precisou comprar um kit próprio do evento - que em 2014 custou R$ 50,00 e teve mais de 300 ingressos vendidos. No pacote, abadá - uma camiseta preta -, caneca e “cervejas grátis”, além de ingressos para uma festa pós-evento que contou com outros três grupos de metal da cidade.

Acompanhados de um trio elétrico e um trajeto que passou pelo centro de Belém, o bloco veio para provar que é possível “aproveitar o carnaval, sem barreira ideológicas”, como explica Carvalho. “Nós do bloco somos todos fanáticos por heavy metal, mas também somos brasileiros e sabemos curtir o carnaval sem barreiras”, diz o organizador, que já prepara a edição do próximo ano, como um pré-carnaval. Abaixo, o restante da conversa com Diogo Carvalho:

Qual é o repertório do bloco?

O bloco toca vários clássicos do heavy metal de bandas mundialmente famosas. Buscamos sempre renovar parte do repertório para cada edição, nesta primeira apresentação, inclusive, tocamos um clássico da banda conterrânea e pioneira do metal do Brasil - a banda Stress. A música foi cantado pelo próprio Roosevelt Bala, vocalista do Stress, que apoiou o projeto assim que soube e mostrou que sabe curtir o carnaval sem preconceitos.

Existe algum tipo de preconceito contra o projeto?

Eu não chamo de preconceito, mas sim de opinião de algumas pessoas que não gostam ou até mesmo não entendem a proposta. O que fazemos não é para denegrir a imagem do metal, de banda "A" ou "B". O que fazemos é somente nos divertir ao som do heavy metal, mas caracterizando a festa para o período do carnaval. Se não houvesse essa mistura de ritmos, o evento seria como qualquer outro show de banda cover.

O nome é uma brincadeira com os Filhos de Ghandy?

O nome é uma apologia sim ao bloco Filhos de Ghandy e tantos outros que existem pelo Brasil que utilizam a palavra "Filhos" em seus nomes. Junto disso fizemos uma homenagem ao grupo de heavy metal inglês Iron Maiden - nossa favorita por sinal. Dessa mistura então surgiu o nome "Filhos of the Dark".

Qual a maior dificuldade em organizar um Bloco de Heavy Metal “carnavalesco”?

A burocracia enfrentada, a administração das finanças, a busca por apoio, a logística dos produtos e equipamentos envolvidos. Enfim, são muitas coisas para resolver e pensar, uma dor de cabeça sem fim, mas que é completamente recompensada no final.