NOTÍCIAS
07/02/2014 17:41 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Merkel se revolta contra "f**a-se" de diplomata americana

Reuters

A principal diplomata americana para a Europa, Victoria Nuland, pediu desculpas na noite de quinta-feira (6) aos colegas do ‘Velho continente’, depois do vazamento, na internet, de uma conversa por telefone, na qual ela critica a resposta europeia para a crise política na Ucrânia. “F...-se a UE!”, diz a subsecretária de Estado americana para a Europa em um telefonema recente com o embaixador americano em Kiev, Geoff Pyatt, quando discutiam os próximos passos a seguir para tentar resolver a crise pelos protestos em favor da democracia na Ucrânia.

Angela Merkel, chanceler da Alemanha e líder da UE, reagiu ao vazamento nesta sexta-feira (7), dizendo que o comentário de Nuland é "inaceitável".

Funcionários americanos não negaram que a conversa – publicada em um vídeo no Youtube [confira abaixo do texto] com legendas em russo – tenha acontecido, mas se negaram a dar detalhes. Eles criticaram a Rússia por, supostamente, ter interceptado os telefonemas de diplomatas. Victoria "esteve em contato com seus colegas europeus e, claro, desculpou-se", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki. Para o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, o fato de o vídeo ter sido tuitado pelo governo russo "diz algo sobre o papel da Rússia" nos fatos. "Não discutimos conversas privadas", acrescentou Carney, reforçando que Victoria "esteve em contato com seus pares da UE, e a relação é mais forte do que nunca".

Na conversa por telefone, a subsecretária acrescenta ter tido informações de que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pretende nomear um antigo embaixador holandês em Kiev, Robert Serry, como seu representante na Ucrânia. "Isso seria fantástico para ajudar a unir tudo isso, ter a ONU unindo isso e, você já sabe, f...-se a UE", disse ela, em uma aparente referência às diferenças entre Washington e a UE sobre a Ucrânia. Nuland e Pyatt parecem discutir sobre a crise na Ucrânia e a oferta do presidente Viktor Yanukovich em janeiro de nomear o líder da oposição Arseny Yatsenyuk como primeiro-ministro e o popular boxeador e também opositor Vitali Klitschko como vice-primeiro-ministro. Ambos rejeitaram a oferta.

Em conversa com os jornalistas, a porta-voz Jen Psaki também rebateu as alegações russas de que Washington está se intrometendo na política interna de Kiev, já que, no telefonema, ouve-se a subsecretária falando de quem deveria e de quem não está no governo ucraniano. Não deveria "ser uma surpresa" que os funcionários americanos falem desse tema, comentou Psaki, insistindo em que se tratou de uma "conversa diplomática privada".