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06/02/2014 17:26 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

The Economist: inflação é grande ameaça à reeleição de Dilma

Estadão Conteúdo

Londres, 6/2/2014 - A revista The Economist que chega às bancas neste fim de semana publica reportagem em que afirma que a inflação parece como grande ameaça à campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Com o título "Saia justa de Dilma", a reportagem afirma que a presidente "deixou pouco espaço de manobra econômica para um período de difícil campanha eleitoral para a reeleição".

A reportagem destaca especialmente o quadro econômico em meio ao aumento da aversão ao risco internacional. A reportagem lembra que o real já perdeu 17% do valor desde o momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sinalizou o início da retirada dos estímulos.

"Uma moeda mais fraca é o que o Brasil precisa para equilibrar suas contas externas e fazer com que suas fábricas prosperem. Mas isso também gera o risco de aumento da inflação e a constante subida de preços foi um dos fatores (junto com a baixa qualidade dos serviços públicos) que geraram os protestos populares e abalaram o governo Dilma Rousseff no ano passado", diz a revista.

A revista nota que, além da depreciação recente do real, há outros problemas no radar que pioram ainda mais as perspectivas da inflação. "E se a mistura dos eventos externos com a criatividade fiscal doméstica (e até mesmo um possível rebaixamento pelas agências de classificação de risco) gerar um declínio ainda maior do real?", questiona a publicação. Para reagir a esse quadro, diz o texto, a resposta teria de vir com mais aumento de juro, o que sufocaria ainda mais a atividade em pleno ano de eleições, diz a revista.

A The Economist também critica a possibilidade de que bancos sejam obrigados a pagar bilhões de reais para poupadores do Brasil, num caso que se arrasta há décadas na Justiça. Ao lembrar da frase que afirma que "no Brasil até o passado é imprevisível", a revista diz que o caso ameaça a credibilidade do País. "É difícil atrair negócios para um país onde a incerteza não assola apenas o futuro, mas também o passado", diz o texto.

Com o título "O passado é o epílogo", o texto explica a cobrança feita pelos poupadores que pedem a correção dos valores depositados nas cadernetas durante os vários planos econômicos vividos pelo Brasil há algumas décadas. O caso está, atualmente, no Supremo Tribunal Federal (STF).

O conteúdo destaca que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, já divulgaram carta aberta com um alerta para o efeito negativo sobre a economia, caso as instituições financeiras sejam derrotadas no caso. Na eventualidade de as instituições perderem no STF, a revista prevê forte queda da oferta de crédito, o que prejudicaria a já "combalida" economia brasileira.

Além disso, a publicação também lembra que os dois maiores bancos estatais - o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal - são donos de cerca de metade das cadernetas de poupança nacionais e poderão ser obrigados a pedir resgate aos cofres públicos. "Apertando as já frágeis contas públicas do Brasil."