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06/02/2014 09:17 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Governo começa desligamento de médica cubana do programa Mais Médicos

ED FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

O governo brasileiro já iniciou o processo de desligamento da cubana Ramona Matos Rodriguez do Programa Mais Médicos. A informação é do ministro da Saúde, Arthur Chioro. A médica está abrigada na Câmara dos Deputados desde que deixou seu posto de trabalho em Pacajá, no Pará. “Recebemos hoje [dia 5] a notificação do município e agora estamos providenciando o desligamento da profissional”, disse Chioro.

O desligamento de Ramona do programa vai possibilitar o pedido de refúgio no Brasil, conforme explicou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, horas antes. “A partir da situação em que o Ministério da Saúde vier a desenvolver um procedimento interno de afastamento do programa, aí ela terá o visto de permanência cassado”, destacou Cardozo.

Sobre o pagamento que a médica alegava receber por mês – US$ 400 (pouco mais de R$ 900) – Chioro foi enfático e disse que a relação do governo brasileiro é com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Segundo Chioro, o Brasil estava cumprindo sua parte.

“A cooperação do Brasil é com a Opas e ela estabelece o processo de cooperação com o governo de Cuba. Nós estamos muito tranquilos com a condução dessa questão”, afirmou o ministro.

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D'Ávila, manifestou apoio à médica cubana. “O CFM parabeniza essa cubana pela coragem de denunciar que é assim a situação de todos esses intercambistas cubanos”, disse o presidente do conselho. “Clamo às autoridades que protejam essa mulher. Que ela seja asilada em outra embaixada porque corre o risco de ser deportada”, completou. O conselho e outras entidades médicas se posiconaram contrários à contratação de profissionais estrangeiros para o Mais Médicos, sem passar pela revalidação do diploma.