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05/02/2014 18:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Prisão Pizzolato: saiba como o foragido do mensalão foi encontrado na Itália

Estadão Conteúdo

Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil condenado no processo do mensalão, foi preso na Itália portando um passaporte falso de um irmão morto em 1978. Segundo Luiz Cravo Dórea, coordenador de Cooperação Internacional da Polícia Federal, o governo brasileiro começou a descobrir o paradeiro de Henrique depois que as autoridades italianas informaram ao Brasil que uma pessoa chamada Celso Pizzolato havia solicitado a alteração de status de cidadão residente no exterior para o de residente na Itália.

O passo seguinte foi descobrir que Celso havia morrido em 1978, aos 24 anos, e que Henrique conseguiu emitir documentos brasileiros falsos (RG, título de eleitor e CPF) em nome do irmão em 2007, quando o processo do mensalão já corria mas ainda não havia sido julgado, e no ano seguinte tirou dois passaportes, um brasileiro e um italiano. Os irmãos Pizzolato tinham direito a dupla cidadania.

Com essa informação, a PF e outros governos da América Latina, Espanha e Itália, com ajuda da Interpol, começaram a procurar por registros da passagem de Celso Pizzolato por suas imigrações. Anteriormente a PF já havia solicitado a diversos países da região informações sobre a passagem de Henrique Pizzolato e a resposta havia sido negativa.

Finalmente veio uma resposta positiva da Argentina. Em setembro de 2013, dois meses antes de ter sua prisão decretada pelo STF, ele utilizou um dos passaportes falsos de Celso para embarcar para a Espanha no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires. Isso foi confirmado por meio de impressões digitais fornecidas pelas autoridades argentinas: elas eram de Henrique. "O erro do foragido foi não imaginar que deixaria suas impressões no aeroporto de Buenos Aires", afirmou Dórea em entrevista coletiva no início da noite desta quarta. Henrique entrou em território argentino por via terrestre pela cidade de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, e de lá seguiu de carro até a capital argentina.

O passo seguinte da PF foi informar às autoridades europeias que Pizzolato havia viajado para a Espanha, com o passaporte falso do irmão já morto. Com a colaboração da Espanha, a polícia obteve a informação de que a mulher de Henrique, Andreia, havia comprado um carro meses antes na Espanha, com placa de Málaga.

O passo seguinte foi a polícia italiana iniciar a procura pelo carro, que acabou localizado em frente a um apartamento de um sobrinho de Pizzolato, Fernando Grando, em Maranello (norte da Itália). Grando já era monitorado pela polícia, que montou plantão no local após localizar o veículo.

Ao sair do prédio, Henrique foi abordado pelos policiais. Num primeiro momento, afirmou ser Celso Pizzolato, mas, pressionado, terminou por admitir sua real identidade e foi preso. De acordo com a Polícia Federal, a prisão foi feita a pedido da Justiça brasileira com base em um mandado internacional.

Durante a coletiva de imprensa, realizada em Brasília no início da noite, a PF brasileira não soube dizer o que acontecerá com o foragido brasileiro a partir de agora. De acordo com a PF, o caso agora passa a ser responsabilidade da Justiça e das autoridades brasileiras e italianas.

Atualizado às 20h36