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04/02/2014 08:37 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Eduardo Campos e Marina Silva resolvem diferenças e lançam propostas de PSB-Rede

ED FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Cada vez mais sintonizados, o governador Eduardo Campos e a ex-ministra Marina Silva lançam oficialmente nesta terça-feira (4) o programa de governo de PSB-Rede. A parceria está consolidada com Campos como cabeça de chapa e Marina como vice na disputa pelo Palácio do Planalto, conforme apurou o Brasil Post. A tônica do plano, cujo anúncio foi marcado para esta manhã em Brasília, é o desenvolvimento sustentável. As prioridades serão: saneamento básico; obras para melhorar armazenamento e transporte da produção agrícola do País; e incorporação de tecnologias ecologicamente corretas no agronegócio.

Os laços de Campos e Marina se estreitaram em janeiro, quando o socialista abriu mão das alianças que pretendia em São Paulo e Rio de Janeiro. Ele propôs a Marina a escolha de nomes da dobradinha de ambos para concorrer ao governo dos dois estados.

Até a primeira semana de janeiro, Campos queria apoiar a reeleição de Geraldo Alckmin em São Paulo. Entretanto, Marina bateu o pé, argumentando a necessidade de alternância de poder no estado, onde os tucanos estão há 20 anos, e de uma terceira via – marca do discurso da Rede.

O governador viu nas concessões a Marina uma forma de se aproximar dela e acelerar o anúncio da chapa concorrente nas eleições presidenciais. O objetivo, claro: colar a imagem dos dois e faturar o capital eleitoral da ex-senadora, que conquistou quase 20% dos votos no primeiro turno das eleições de 2010.

"Marina está cada vez mais bem impressionada com o Eduardo; tudo que foi acertado por ele foi cumprido", disse ao Brasil Post um dos braços-direitos de Marina na Rede, o deputado federal Walter Feldman. "Ele [Campos] tem trabalhado com as lideranças do PSB para que a posição de ter candidaturas próprias nos estados possa ser aceita sem traumas nem conflitos", contou o parlamentar que é um dos mais cotados para disputar o governo de São Paulo pela chapa PSB-Rede.

Feldman afirma que PSB-Rede e partidos aliados vão formar uma "frente ampla" que escolherá o candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Além dele, são cotados os deputados federais Luiza Erundina e Márcio França, do PSB, o vereador Ricardo Young, do PPS, entre outros políticos. O PV também pode integrar essa frente, que se reunirá nos próximos dias.

Políticas de longo prazo

O plano de governo lançado nesta terça-feira (4) concilia os perfis desenvolvimentista de Campos e sustentável de Marina. O saneamento é uma das questões-chaves: a diretriz da gestão PSB-Rede será ampliar prevenção e promoção de saúde em grandes contingentes populacionais e garantir assim qualidade de vida. Segundo a cúpula da Rede, será uma política a longo prazo que, associada a programas de formação de médicos com concursos públicos permanentes, se apresenta como alternativa na área da saúde pública à construção de hospitais e programas excepcionais como o Mais Médicos.

Outra prioridade é a construção de portos, aeroportos e estradas, também a longo prazo, para imprimir uma visão logística eficiente ao País. A introdução de novas tecnologias e mecanismos de produção no agronegócio também faz parte das diretrizes do plano de governo. São soluções que, de acordo com os dois partidos, não destroem matas, florestas e rios, conferindo intensidade produtiva, sem interferir no ambiente.