COMPORTAMENTO
30/01/2014 10:39 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Scarlett Johansson deixa Oxfam após polêmica sobre Cisjordânia

AP
Actress Scarlett Johansson poses for a photograph on the red carpet at the gala for the new movie "Under The Skin" during the 2013 Toronto International Film Festival in Toronto on Monday, Sept. 9, 2013. (AP Photo/The Canadian Press, Nathan Denette)

A atriz Scarlett Johansson deixou o posto de embaixadora da Oxfam, informou a organização beneficente nesta quinta-feira (30), após o grupo ter discordado do apoio dado por ela a uma empresa israelense que opera na Cisjordânia.

A estrela de Hollywood se tornou garota-propaganda da fabricante de refrigerantes SodaStream e deve aparecer em um comercial a ser transmitido durante o Super Bowl, a final da liga dos EUA de futebol americano, no domingo.

No entanto, o negócio multimilionário repercutiu mal entre ativistas e grupos humanitários porque a maior fábrica da SodaStream está instalada em um assentamento judeu dentro da Cisjordânia.

A empresa emprega operários tanto palestinos como israelenses e alega que sua fábrica representa um modelo de cooperação pacífica, mas os assentamentos são tidos como ilegais sob a lei internacional e são condenados pela Oxfam, que conduz uma grande operação na região.

Após consultas com Johansson no início da semana, a atriz informou à organização de ajuda humanitária que terminaria a relação com a Oxfam.

"A Oxfam aceita a decisão de Scarlett Johansson de se retirar", disse o grupo em comunicado. "O papel de Johansson em promover a companhia SodaStream é incompatível com seu papel como Embaixadora Global da Oxfam."

"A Oxfam acredita que os negócios, tais como os da SodaStream, que operam em assentamentos aprofundam a persistente pobreza e negação dos direitos das comunidades palestinas pelas quais trabalhamos para ajudar."

A controvérsia ocorre em um momento delicado para as negociações de paz mediadas pelos EUA entre Israel e palestinos. Autoridades israelenses temem que caso as negociações falhem, possa ganhar ímpeto um nascente clamor por sanções a Israel e a seus assentamentos.

Em um comunicado citado na mídia norte-americana, o porta-voz de Johansson escreveu que "ela e a Oxfam têm uma divergência fundamental de opinião em relação ao movimento de boicote, desinvestimento e sanções".

O movimento, apoiado sobretudo por intelectuais e blogueiros em favor causa palestina, incentiva um boicote coletivo a produtos israelenses e questiona a legitimidade do Estado judeu.