COMPORTAMENTO
30/01/2014 20:02 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

O beijo gay em "Amor à Vida": nós queremos. E você?

divulgação

Mais de seis décadas se passaram desde que Walter Forster e Vida Alves protagonizaram o primeiro beijo da teledramaturgia brasileira. Casal de mocinhos da novela Sua Vida Me Pertence - exibida em 1951 pela extinta TV Tupi de São Paulo -, a dupla fez de um inofensivo “selinho” a fagulha para a explosão de beijos ardentes que tomariam conta da programação nacional pelas próximas décadas.

De lá para cá, foram centenas, milhares, quiçá milhões de lábios flamejantes que repetiram a fórmula. Casais de velhinhos, crianças, imigrantes, jovens, negros, fantasmas, casais da vida real, animais, vampiros, mulheres e até inimigos.

Mas e beijo entre dois homens, adultos, barbados e com pomo de adão saliente, não vai rolar?

Ainda que o SBT tenha avançado na questão do beijo homossexual - o primeiro foi entre as atrizes Luciana Vendramini e Giselle Tigre na novela Amor e Revolução (2011) -, a Rede Globo, líder de audiência no horário nobre e grande símbolo da teledramaturgia brasileira, parece manter o tabu. Pelo menos até agora.

Com o último capítulo de Amor à Vida indo ao ar nesta sexta-feira (31), a expectativa é a de que o casal Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano) consuma o simbólico ato.

Mas e qual a real importância de um beijo gay na maior emissora de TV do País?

Para Toni Reis, presidente do Grupo Dignidade, um dos pioneiros na promoção da cidadania LGBT no Brasil, o beijo gay na TV é um ato simplesmente “bonito”. “Todas as noites, eu beijo meu marido. É simples, natural e se isso acontecer com os personagens Felix e Niko, será sob a torcida do público. Nunca antes na história do País, os espectadores torceram tanto por um casal gay quanto agora”, afirma Reis.

O ativista ainda questiona: “Amor à vida teve várias cenas violentas, como Ninho (Juliano Cazarré) sendo esfaqueado por Aline (Vanessa Giacomo). O que é mais chocante: sangue e morte ou duas pessoas que se amam?”.

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Já para a pesquisadora do Centro de Estudos de Telenovela da ECA-USP Maria Cristina Mungioli, o beijo gay na televisão é uma “quebra de barreiras” não apenas na ficção, mas na vida real. “Durante toda a novela, o casal Niko e Félix foi tratado com naturalidade. Pessoas normais amando, errando e se expressando como qualquer outro casal. O ‘beijo gay’ nada mais é do que a coroação dos homossexuais como pessoas normais, que reagem e fazem as mesmas coisas que qualquer outro casal”, explica Mungioli.

Thiago Fragoso já deu entrevista dizendo que adoraria um beijo entre os dois personagens. Paula Braun, a esposa de Matheus Solano, vibra e torce pela união do casal. Até Walcyr Carrasco, autor da novela, recebeu “carta branca” da emissora para consumar o ato.

Resta apenas saber: Vai beijar, ou não?

beijo

BEIJOOOOOOOOOOOOOOOOOUUUU!