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30/01/2014 09:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Desvalorização do peso não afeta invasão argentina na Copa

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A desvalorização recorde do peso argentino não deve afetar a vinda de argentinos para o Brasil durante a Copa. O fácil acesso dos hermanos à moeda brasileira na Argentina vai ajudá-los a bancar os gastos com a viagem para cá.

"O mercado paralelo na Argentina é fortíssimo", afirma o economista Otto Nogami, professor do Insper, em São Paulo. "Ao receber o salário em pesos, muitos argentinos tentam convertê-los para dólares ou reais, que são moedas mais fortes", explica.

Como efeito do grande fluxo de brasileiros para o país vizinho, o real já está incorporado à rotina de boa parte dos argentinos. Restaurantes e serviços de táxi, por exemplo, aceitam pagamento da conta e da corrida com moeda brasileira.

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A Calle Florida, cartão-postal no centro de Buenos Aires, é dominada pelos arbolitos, vendedores nesse mercado informal. As opções de moeda mais recorrentes que eles oferecem, em voz alta aos que passam pela rua, são pesos, dólares e "reales".

Para assistir ao Mundial em junho, o jornalista argentino Agustin Gonzalez traçou como uma de suas metas conseguir a maior quantidade de reais possível para viajar. "Aproveitei quando a família da minha namorada brasileira veio me visitar em Buenos Aires para trocar meus pesos por reais ou dólares deles", conta. "Juntei um pouco e, agora, vou poupando até a data da Copa."

Sem gastança

Apesar de ser o principal turista em solo brasileiro, o argentino está longe de ser o que mais gasta por aqui, de acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Em 2012, o gasto per capita dos argentinos, durante a estadia no Brasil, foi de US$ 647,90. É o décimo lugar no ranking com um valor bem inferior ao das despesas dos europeus e estadunidenses. Os espanhóis, no topo da lista, gastaram US$ 1.703,04 por cabeça.

Se a desvalorização do peso continuar até a Copa, os argentinos terão que apertar os cintos, quando estiverem aqui no Brasil, ou recorrer ao dinheiro que têm guardado no exterior. A desconfiança com o governo Kirchner e as crises econômicas levou muitas famílias argentinas a fazer aplicações fora do país. "Aquelas de renda média e alta mantêm economias fora da Argentina, com depósitos no Uruguai e até no Brasil", diz Otto Nogami, do Insper.