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27/01/2014 19:42 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Transferência assistida aumenta tensão de universitários do Rio de Janeiro

Divulgação

A incerteza sobre o futuro dos estudos ainda tira o sono dos alunos da Universidade Gama Filho e da UniverCidade, descredenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) no último dia 13. Apesar das garantias do MEC de que todos os matriculados das duas instituições do Rio de Janeiro serão transferidos, sem passar por um novo processo seletivo, sobram dúvidas e temores entre os cerca de 12 mil estudantes:

- A nova universidade vai oferecer ensino de qualidade?

- O campus será próximo da onde moro?

- O valor da mensalidade será igual ao que eu pagava?

- Todas as matérias que estudei serão aproveitadas?

- Vou conseguir me formar no tempo que estava previsto?

Até 13 de fevereiro, as instituições interessadas em receber os alunos vão apresentar sua proposta para o MEC. O processo de escolha termina na primeira quinzena de março, de acordo com o cronograma do edital de transferência assistida, publicado no Diário Oficial da União.

O secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Jorge Messias, tentou tranquilizar os alunos e disse, em entrevista recente, que vencerá o edital a instituição que apresentar "a maior equivalência econômica e o maior aproveitamento de estudos realizados".

Mas a promessa não agrada à maioria dos estudantes, como a turma do universitário João Paulo Ferreira Gama, 26, que começaria em fevereiro o último ano do curso de medicina na Gama Filho. Ele e os colegas consideram que o edital de transferência publicado pelo MEC pode prejudicá-los porque possibilita a escolha de uma faculdade que não aproveite todos os créditos cursados.

Essa insegurança alimenta a revolta pelo fechamento da universidade. "A gente confiou no estabelecimento, nos fiscalizadores, e aí eles fecham; sinto que fomos passados para trás porque nosso investimento financeiro é muito grande", desabafa João Paulo.

"Eu vim para o Rio de Janeiro fazer particular porque eu escolhi a Gama Filho, e não me interessa ir para outra particular", conta o jovem mineiro, que ainda sonha com a hipótese de federalização, sugerida por reitores de instituições do Rio. Por esse processo, a Gama Filho e a UniverCidade passariam a funcionar como universidades públicas, e os professores seriam contratados pelo Estado.

No entanto, o MEC já descartou a federalização. O secretário Jorge Messias disse que não há base constitucional para implementar essa mudança. "Como é que nós vamos colocar 1.100 professores sem concurso público e estudantes que não fizeram Enem e não submeteram ao Sisu?", argumenta.

Crise das universidades

A Gama Filho e a UniverCidade foram descredenciadas pelo MEC por um histórico de problemas financeiros que estavam impactando a qualidade acadêmica. A mantenedora, o Galileo Administração de Recursos Educacionais, tem uma dívida estimada em R$ 900 milhões.

O grupo assumiu a gestão das universidades em 2010. Desde então, centenas de professores foram demitidos. Os atrasos nos salários eram corriqueiros. Em solidariedade aos docentes, até os alunos já haviam feito greve.

Em nota, a direção do Galileo informa que vai recorrer da decisão no próprio MEC e promete ir à Justiça.

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