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27/01/2014 16:32 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Santa Maria: um ano após o incêndio na boate Kiss

TARLIS SCHNEIDER/ESTADÃO CONTEÚDO

Neste dia 27 de janeiro, data que marca o primeiro ano do incêndio na boate Kiss em Santa Maria e a morte de 242 jovens, dezenas de pessoas protestaram por justiça a partir das 23h de domingo até a tarde desta segunda-feira. O Movimento do Luto à Luta liderou os protestos e, às 3h, horário aproximado de quando começou o incêndio, sirenes ecoaram na cidade em coro com gritos de “Acorda Santa Maria”. No centro da cidade, as pessoas choraram, se abraçaram e pediram justiça, a grande reivindicação do dia.

Um ano após o incêndio que comoveu o país e estampou capas de revistas e jornais no mundo todo, uma investigação que resultou em 13.000 páginas de inquérito policial não trouxe justiça. Dos 32 indiciados, nenhum está preso, e ninguém recebeu indenizações pelas perdas.

Pais, amigos e familiares das vítimas do incêndio fizeram uma vigília em frente à boate Kiss e, pela manhã, caminharam rumo ao prédio do Ministério Público de Santa Maria. De acordo com o Diário de Santa Maria, um jornal local, frases como "E se fosse um filho seu?" e "Acorda Santa Maria, nós temos 242 motivos" foram pronunciadas pelos manifestantes. O grupo támbém fez uma contagem coletiva: 1, 2, 3, 4, 5... até o número 242. Ao chegar ao prédio do MP, por volta das 9h30, os participantes soltaram balões brancos escrito “Justiça 242”.

Ainda na manhã desta segunda, a Associação das Vítimas e Familiares de Sobreviventes na Tragédia em Santa Maria (AVTSM) plantou uma árvore no campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para simbolizar a vida. Na parte da tarde, familiares e amigos de vítimas promoveram trocas de abraços e leram os nomes dos 242 mortos com batidas em um tambor.

No Facebook, uma crônica do jornalista gaúcho Marcelo Canellas de junho de 2013 foi bastante compartilhada. No texto, o jornalista fala sobre generosidade em um pedido de compreensão à revolta dos pais das vítimas.

“Quando vejo manifestações de pessoas que se dizem “cansadas” dos protestos dos parentes das vítimas da boate Kiss, me pergunto: por que elas não se cansam da impunidade? Por que não se cansam da morosidade da Justiça? Por que não se cansam da irresponsabilidade que põe a vida em risco? Eu mesmo respondo: porque não se dão ao trabalho de olhar para o lado e de se colocar no lugar do outro”, diz Canellas em sua crônica.

Familiares e amigos de vítimas escreveram posts sobre suas últimas lembranças dos entes queridos. No Twitter, políticos, atrizes e veículos de imprensa lembraram da data.

O instagram foi inundado por imagens com frases de campanhas locais, como a “Abrace Santa Maria”, que promoveu uma ação às 18h de “troca de abraços”.

O jornal Zero Hora produziu uma boa reportagem multimídia contando a história de dois sobreviventes a partir da última foto que eles tiraram antes do incêndio. O jornal gaúcho também produziu uma série de vídeos sobre o primeiro ano que se destacaram pela sensibilidade.