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27/01/2014 13:02 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Protesto contra Copa faz Dilma chamar reunião de emergência

Bloomberg via Getty Images
Dilma Rousseff, Brazil's president, pauses during a session on day three of the World Economic Forum (WEF) in Davos, Switzerland, on Friday, Jan. 24, 2014. World leaders, influential executives, bankers and policy makers attend the 44th annual meeting of the World Economic Forum in Davos, the five day event runs from Jan. 22-25. Photographer: Jason Alden/Bloomberg via Getty Images

Em viagem ao exterior, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião de emergência para quando retornar ao Brasil. A decisão foi tomada depois que um manifestante foi baleado pela Polícia Militar de São Paulo neste sábado, durante um protesto contra os gastos da Copa.

A intensão de Dilma é traçar uma estratégia de emergência para evitar que os protestos cresçam e atinjam o ápice durante o Mundial. Foram convocados para a reunião os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Celso Amorim (Defesa) e Aldo Rebelo (Esportes). De acordo auxiliares da presidente, Dilma foi informada de que os protestos contra a Copa feitos no sábado foram violentos, com pessoas feridas, depredações e ondas de vandalismo. A presidente, então, convocou a reunião para a volta ao Brasil, segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo.

O ministro da Justiça está em férias. De acordo com sua assessoria, ele deve retornar ao trabalho nesta terça-feira. E já encontrará uma série de demandas envolvendo a segurança da Copa, maneiras de evitar que os tumultos se espalhem pelo País e formas de conter a ação violenta contra as manifestações por parte das polícias estaduais.

Tiros - No sábado, o manifestante Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça, de 22 anos, foi baleado no tórax e na virilha por policiais militares na Rua Sabará, em Higienópolis, região central de São Paulo. Ele segue internado em coma induzido.

De acordo com a PM, Nunes fugiu de uma averiguação e atacou um dos policiais. Eles teriam pedido para revistar a mochila do rapaz, onde acharam um artefato explosivo. A corporação afirma que Nunes, então, tentou fugir. Quando era perseguido, segundo a PM, sacou um estilete que estava no bolso da calça, voltando-se contra os policiais, e acabou baleado.

Testemunhas afirmam que o rapaz não reagiu. A família de Nunes afirma que ainda tenta descobrir o que de fato aconteceu. Segundo a polícia, ele seria um integrante do grupo black bloc. O irmão de Fabrício diz que ele trabalha como estoquista e que frequenta protestos com regularidade. Na página dele do Facebook, entre os perfis preferidos, está a Black Bloc SP.

Apuração - O defensor público Carlos Weis, coordenador de direitos humanos da Defensoria Pública de São Paulo, acompanha o caso. Outro defensor estava no local por acaso e conversou com pessoas que filmaram o rapaz baleado. "Segundo os relatos, havia três policiais contra uma pessoa com arma branca. É evidente que havia outros meios menos letais de resolver a situação."

De acordo com relatos, Nunes foi resgatado pela própria PM, contrariando resolução do governo do Estado, que veta a prática. O porteiro de um prédio chegou a pedir uma ambulância, que teria chegado minutos após os policias levarem o rapaz ao hospital. O caso está sendo investigado a pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Polícia Civil.