COMPORTAMENTO
27/01/2014 15:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Por que um papa, um monge e um neurocientista estão dando conselhos para a elite empresarial

Reuters

Além dos suspeitos de sempre em Davos - chefes de Estado, prêmios Nobel, CEOs e titãs da mídia -, a reunião anual do Fórum Econômico Mundial de 2014 ofereceu as perspectivas de pessoas que vivem longe dos centros financeiros e que definem uma boa vida em termos que têm pouco a ver com o acúmulo de dinheiro e poder.

Ao iniciar conversas poderosas sobre a importância da saúde e do bem-estar, a necessidade de retribuir aos outros e a questão do que significa ter uma boa vida, esses participantes sacudiram as coisas e influenciaram os acontecimentos da semana de maneiras revigorantes e às vezes surpreendentes.

Esses cinco líderes de Davos "saíram da caixa" e trouxeram perspectivas únicas para as conversas do FEM este ano. Veja o que eles tinham a dizer.

Matthieu Ricard

matthieu ricard

Entre os participantes de Davos estava "o homem mais feliz do mundo", o monge budista e humanitarista francês Matthieu Ricard. No passado, exames de imagens cerebrais feitas em Ricard enquanto ele meditava sobre a compaixão revelaram uma atividade inédita em seu córtex prefrontal esquerdo, sugerindo uma capacidade incomum de felicidade e uma tendência reduzida para a negatividade. Esta semana, Ricard ensinou a outros em Davos como alcançar a felicidade e a paz por meio da conscientização, conduzindo meditações matinais para os participantes da reunião e como membro de um painel sobre a importância de ser feliz.

Ricard também ofereceu alguns conselhos para executivos estressados como Mohamed El-Erian, CEO da Pacific Investment Management Co., que anunciou sua demissão esta semana: não sacrifiquem a paz de espírito pelo trabalho.

"De que adianta se você não tiver uma sensação da qualidade do momento que está vivendo?", disse Ricard à Bloomberg Newsdisse Ricard à Bloomberg News. "Não precisa ser uma iluminação embaixo de uma mangueira, mas algum tipo de felicidade."

Ricard terá pelo menos um convertido à meditação no final do evento: o economista Nouriel Roubini tuitou uma foto dele mesmo após a meditação com Ricard, afirmando que adotou a meditação transcendental.

(Com Matthieu Ricard, monge tibetano que deu uma aula de meditação no FEM. Eu comecei a MT na semana passada...)

Dr. Richard Davidson

richard davidson

Um neurocientista do centro-oeste dos Estados Unidos chamou a atenção dos líderes mundiais e mexeu com o protocolo em Davos esta semana. O doutor Richard Davidson, professor de psicologia e psiquiatria, conduziu uma pesquisa inovadora sobre os efeitos da meditação e outras práticas de conscientização sobre o cérebro e trabalhou estreitamente com o Dalai Lama e outros líderes espirituais. Nesta semana, Davidson participou de vários painéis sobre temas que incluíam meditação sobre a consciência, o impacto da tecnologia no cérebro, a neurociência da liderança e a arte da felicidade.

Em entrevista ao HuffPost Live, Davidson indicou uma mudança de maré nas discussões em Davos, na qual ele foi uma parte instrumental, e que resultou em uma ênfase para a saúde e a felicidade. "Falar sobre isto aqui em Davos cinco anos atrás teria sido inimaginável", disse.

Davidson explicou que a felicidade é uma técnica que pode ser aprendida por meio da meditação e da prática da reflexão.

"Nossos cérebros são feitos para isso, e não precisam de muito para nos empurrar em direções mais saudáveis", disse ele. "Com um pouco de treinamento, acho que podemos fazer uma diferença profunda."

Goldie Hawn

goldie hawn

Uma das participantes mais comentadas do FEM, a atriz vencedora do Oscar Goldie Hawn, ajudou a colocar a conscientização no topo da agenda em Davos este ano. Hawn - que é fundadora da Fundação Hawn, uma entidade sem fins lucrativos dedicada a levar a meditação às escolas americanas - conduziu os líderes globais na meditação e falou sobre o poder da consciência para criar um mundo mais sustentável.

"Temos de criar equanimidade, temos de ouvir uns aos outros. Temos de cuidar profundamente, de modo coletivo, de nossa sociedade como um todo, ou criaremos um mundo onde não vale a pena viver", disse Hawn durante sua palestra sobre consciência.

Papa Francisco

papa francisco

Embora o papa Francisco não tenha comparecido de fato a Davos, sua poderosa mensagem introdutória ajudou a colocar a desigualdade no primeiro plano para os mais de 2.500 participantes do evento. O líder católico pediu que os líderes empresariais e formadores de opinião globais coloquem as pessoas acima dos lucros e usem sua riqueza para servir a causas humanitárias.

"Peço a vocês que garantam que a humanidade seja servida pela riqueza, e não governada por ela", disse o pontífice em sua mensagem, lida na cerimônia de abertura em Davos pelo cardeal Peter Turkson, presidente do Conselho Pontifício para Paz e Justiça.

O desafio do papa aos líderes para lutar por "uma melhor distribuição da riqueza" iniciou os procedimentos da semana em um tom incomum e foi aplaudido por muitos participantes e comentaristas.

Anne-Marie Slaughter

anne marie slaughter

Anne-Marie Slaughter, professora de política e assuntos internacionais na Universidade Princeton e uma das principais vozes na palestra "As mulheres podem ter tudo?", falou sobre a necessidade de "incentivar os homens a cuidar dos outros".

Slaughter disse acreditar que as mulheres têm mais opções que os homens e precisam redefinir o sucesso - especialmente para os homens - para que se concentrem menos em dinheiro e mais em viver uma boa vida.

"Todas as estruturas da sociedade estão focalizadas nos homens como provedores", escreveu Slaughter em um blog no WorldPost na semana passada, pedindo que os homens assumam um papel equivalente como cuidadores. "O modo como medimos o valor de um homem é quanto dinheiro ele ganha, quanto poder ele acumula... Está na hora de mudar nosso modo de sociabilizar nossos filhos e escolher nossos parceiros."