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24/01/2014 17:11 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

'É ver para crer', diz investidor sobre discurso de Dilma

RODGER BOSCH via Getty Images
Founder and Group Chief Executive of the Abraaj Group Arif Naqvi from Pakistan gives a speech during the second day of the World Economic Forum Meeting on Africa, at the Cape Town International Convention Centre on May 9, 2013, in Cape Town. AFP PHOTO / RODGER BOSCH (Photo credit should read RODGER BOSCH/AFP/Getty Images)

Em maio de 2013, o empresário paquistanês Arif Naqvi fez uma afirmação contundente sobre o Brasil diante de centenas de investidores e executivos, durante o Simpósio de St Gallen, na Suíça. Em painel sobre mercados emergentes, Naqvi recomendou que investidores não colocassem seu dinheiro no Brasil, citando entraves como burocracia e intervencionismo do governo. O investidor, que também é um dos principais patrocinadores do Fórum Econômico Mundial de Davos, afirmou ao site de VEJA nesta sexta-feira, logo após o discurso da presidente Dilma, que terá de 'ver para crer' em todos os feitos que a presidente afirmou ter conquistado no campo econômico. "Não é que eu não me interesse pelo Brasil. Eu simplesmente não tenho nenhum investimento lá porque prefiro entrar em outros emergentes mais atrativos", disse Naqvi.

O paquistanês é fundador do Abraaj Group, um fundo de private equity sediado em Abu Dhabi que administra 7,5 bilhões de dólares aplicados em ativos em países da África, Ásia e América Latina, como o Peru. Naqvi é exatamente o tipo de investidor alvo da ofensiva do Palácio do Planalto em Davos para atrair capital para investir no Brasil. A estratégia de seu fundo consiste em aplicar no setor produtivo, e não por meio de especulação no mercado financeiro. Contudo, para convencê-lo, as palavras parecem não bastar.

Em seu discurso, Dilma não quis detalhar quais investidores quer para o Brasil. Não se ateve a filtros, nem explicou que seu governo é extremamente hostil a empresas que não se enquadram na política de conteúdo nacional. A presidente também não disse que quer ver bem longe os investidores especulativos. 'Venham todos, venham rápido' foi o tom usado para mostrar quão ávido o país está pelo dinheiro externo. "O Brasil é uma das maiores fronteiras de oportunidades do mundo. Nós recebemos muito bem o investidor", afirmou.

Empresários - Ao terminar a sessão na plenária, a presidente se dirigiu ao hotel Hilton de Davos para um encontro com o Conselho Internacional de Mídia do Fórum. Ao regressar ao evento, deu início às reuniões com empresários que fazem parte do International Business Council (IBC) e todos os executivos brasileiros que compareceram ao Fórum. Em seguida, a presidente retornou ao hotel Hilton para dar sequencia aos encontros bilaterais com empresários que deveriam acontecer em Zurique, mas foram adiados. A presidente recebe os executivos da Novartis, do banco Merrill Lynch e o presidente da Anheuser-Busch InBev, Carlos Brito. Durante a manhã, reuniu-se com os executivos da sueca Saab.