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24/01/2014 18:29 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Entenda os protestos na Ucrânia

Valentyn Ogirenko/Reuters

Desde o dia 21 de novembro, quando o governo da Ucrânia decidiu interromper as negociações para um acordo de livre-comércio e associação política com aUnião Europeia, milhares de manifestantes, a maioria jovens, tomou as ruas, prédios públicos e praças da capital Kiev. O centro do protesto se fixou na Praça da Independência, próxima ao gabinete do governo.

O país vinha negociando com o bloco europeu, o que era visto para muitos como uma maneira de melhorar a economia do país. Era uma forma, também, de integrar mais o país à Europa Ocidental, diminuindo a influência russa, mal vista pela maioria dos ucranianos.

Já no dia 24 de novembro, mais de 100 mil saíram às ruas. O governo não cedeu e logo entrou na pauta do protesto a renúncia do primeiro-ministro Mycola Azarov e do presidente Viktor Yanukovych. O próprio primeiro-ministro admitiu, em seguida, que a Rússia tinha pedido para que o acordo fosse adiado.

A crise se intensificou nos últimos dias, com choques violentos contra a polícia. Três pessoas morreram, dois ativistas baleados na praça da Independência dia 22 de janeiro e um terceiro corpo foi encontrado em um bosque em Kiev com sinais de tortura. Somente no dia 22, 170 policiais ficaram feridos. Entenda o que está por trás dos protestos.

Economia

À beira da bancarrota, o primeiro-ministro, mostrando que não está disposto a facilitar as negociações, pediu ao bloco 20 milhões de euros anuais em ajuda, até 2017, como condição para assinar o pacto. A União Europeia rejeitou prontamente.

Para ele, essa ajuda compensaria as perdas econômicas que o país teria caso não fechasse um acordo com a Rússia e negociasse com o bloco.

Em 2011, o país deixou de receber uma ajuda econômica da União Europeia, de 610 milhões de euros, depois de não cumprir um pacote de reformas acordado com o FMI.

Dedo de Putin

O fracasso na negociação com a União Europeia foi um duro golpe para o país, que anseia por dias melhores. A economia ucraniana deve crescer 0% em 2013, segundo o Banco Mundial. No primeiro semestre, a economia encolheu.

Além disso, os ucranianos querem fugir da mão invisível (e de ferro) do governo russo. “Os ucranianos querem ser europeus”, dizem muitos manifestantes, apesar de a Rússia também ser europeia.

Vladimir Putin pressionou seu aliado, o presidente Yanukovych, para que ele não assinasse o acordo com o bloco. Como forma de ameaça, Putin ameaçou cortar o fornecimento de gás e criar medidas protecionistas contra os produtos ucranianos.

Ele insiste para que o governo de Azarov assine uma união aduaneira com ele no lugar do acordo com o bloco europeu. Seria um bloco euroasiático que, no fim, reuniria as nações da antiga União Soviética.

A influência russa no país não é novidade. Por séculos os ucranianos foram dominados por Moscou e, em regiões no leste do país, ainda se fala russo.

Em 2012, o governo aprovou uma lei polêmica, que tornava obrigatório o ensino da língua russa em escolas de regiões com muitos falantes russos. A decisão gerou intensos protestos.

Manifestantes

Um manifestante famoso na multidão é Vitali Klischko, um campeão de boxe e agora líder da oposição. Ele planeja concorrer à presidência em 2015 com o lema "um país moderno com padrões europeus".

Outro líder das manifestações é Arseniy Yatsenyuk, do segundo maior partido ucraniano, o Pátria. Ele é aliado de Yulia Tymoshenko, ex-premiê, rival do atual presidente e presa desde 2011, acusada de abuso de poder.

Por ser considerada uma presa política – seu julgamento e prisão foram vistos como arbitrários –, Yulia virou símbolo máximo da oposição ao governo ucraniano e à Rússia.

A União Europeia até colocou, como pré-condição para assinar o acordo com o país, a sua libertação. O presidente não concordou. Com isso, ele inflamou ainda mais os manifestantes.