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22/01/2014 09:06 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Oposição síria: com Assad não há negociação

Jamal Saidi/Reuters

As negociações internacionais de paz para tratar da guerra civil de quase três anos na Síria começaram em Montreux, perto de Genebra, nesta quarta-feira, com um discurso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Ahmad al-Jarba, líder da oposição síria apoiada pelo Ocidente, a Coalizão Nacional Síria, disse que qualquer negociação sobre o futuro da Síria é inviável enquanto o ditador sírio, Bashar Assad, continuar no poder.

Esta é a primeira vez em que governo sírio e oposição dialogam cara a cara desde que a rebelião começou, em março de 2011. Direto ao ponto, al-Jarba disse que o objetivo da conferência em Montreux é a formação de um governo de transição, “a única alternativa para nós”.

O secretário de Estado americano, John Kerry, endossou a posição dos oposicionistas e disse que não há lugar para Assad no governo de transição da Síria. Kerry disse que Assad perdeu sua legitimidade para governar depois de um “ataque chocante” ao seu povo.

Em resposta a Kerry, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moallem, disse que ninguém tem o direito de tirar Assad do poder exceto os sírios. No começo da conferência, o chanceler se recusou a ceder o pódio ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, dizendo “você vive em Nova York, eu vivo na Síria”.

Em um longo discurso no início de uma conferência internacional em Montreux, na Suíça, Moallem disse nesta quarta-feira que somente o povo sírio pode decidir o destino de Assad e pediu a potências internacionais que parem de "apoiar o terrorismo" e removam as sanções contra Damasco.

Estão presentes na conferência delegações do governo e de grupos da oposição síria exilada, além da ONU, Estados Unidos e Rússia. Rússia diz que conferência precisa encerrar "conflito trágico" e Irã deve ser ouvido. O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que o principal objetivo da conferência de paz da Síria que começou nesta quarta-feira na Suíça é "alcançar um fim para o conflito trágico" e impedir uma disseminação para outros países da região.

Lavrov afirmou, em sua declaração inicial, que "agentes externos" não devem se intrometer nas questões internas da Síria. Ele disse que a oposição política interna deve ser parte do diálogo nacional sírio, e que o Irã, que não faz parte da conferência de paz, deve ser parte do diálogo internacional.

Chance zero

Há poucas esperanças nas negociações de paz na Síria, já que a guerra civil de quase três anos e o amargor geopolítico causado pelo conflito não dão sinais de abatimento.

Opositores do ditador sírio, pressionados por aliados ocidentais a participar das primeiras negociações diretas marcadas para quarta-feira, renovaram sua exigência de que Assad tem de deixar o poder e ser julgado por um tribunal internacional por crimes de guerra, citando novas evidências fotográficas de tortura generalizada e matanças por parte do governo sírio.

Advogados especializados em crimes de guerra disseram que um vasto arquivo de imagens contrabandeadas, de um fotógrafo da polícia militar síria, é uma clara amostra de abusos sistemáticos e do assassinato de cerca de 11 mil presos. Um dos três ex-promotores internacionais de crimes de guerra que assinam o relatório comparou as fotos da Síria com a "escala de matança industrial" dos campos da morte nazistas.

Assad insiste em que pode ser reeleito neste ano e diz que as conversações deveriam se concentrar no combate ao "terrorismo" - o termo que usa para seus inimigos. A Organização das Nações Unidas e os copatrocinadores da conferência, a Rússia e os Estados Unidos,devem se limitar a ficarem aliviados se e quando as duas partes se sentarem para negociar no hotel Montreux Palace, no Lago Genebra.