MUNDO
21/01/2014 12:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Massacre em prisões brasileiras é destaque em relatório de ONG

MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO CONTEÚDO

A ONG de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) criticou a truculência policial e a tortura nas prisões brasileiras no seu relatório anual, publicado nesta terça-feira (21). Segundo a ONG, as mortes no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, no Maranhão, em dezembro passado escancaram o problema da violência nas detenções brasileiras. Paralelamente, os protestos de junho de 2013 exigindo melhorias nos serviços públicos e menos corrupção do governo mostrou o uso desproporcional da força pela polícia, afirmou a HRW.

“Com o seu lugar cada vez mais influente no mundo, o Brasil tem o potencial para ter um papel muito mais ativo na promoção de esforços internacionais para frear violações graves aos direitos humanos”, afirma no relatório a diretora da ONG no Brasil, Maria Laura Canineu. “Também precisa dobrar seus esforços para se dirigir a violações sérias em território nacional, como o uso excessivo da força contra manifestantes em várias ocasiões”, diz.

“Os crimes hediondos capturados em vídeo são parte de um problema maior de violência descontrolada nas prisões do Maranhão”, afirma em relatório a diretora da ONG no Brasil, Maria Laura Canineu, em referência às imagens mostradas pela Folha de S. Paulo que mostram cadáveres decapitados de três vítimas. No total, 60 presos foram mortos no Maranhão, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça, que documentou a situação no estado em dezembro.

Enquanto isso, mais um detento foi encontrado morto na Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) de Pedrinhas, em São Luís, informou a assessoria da Secretaria de Estado da Justiça e Administração Penitenciária (Sejap). A secretaria informou à imprensa que o preso foi achado enforcado. É o terceiro preso encontrado morto em Pedrinhas este ano e acontece um dia após a transferência de nove presos do complexo para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).

Relatório anual

O foco do relatório anual da Human Rights Watch de 2014 é a guerra civil na Síria. “A política do governo sírio de travar guerra matando civis e o aumento dos abusos de grupos rebeldes provocou o horror em 2013 mas não pressão o suficiente de líderes internacionais para terminar com as atrocidades e levar os responsáveis à Justiça”, afirma a ONG no relatório.